Vírus Nipah volta a preocupar após novos casos registrados na Índia
Doença é considerada prioritária pela OMS por não ter vacina nem tratamento específico e apresentar alta taxa de letalidade
Créditos: eprodução/ Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA
Autoridades de saúde da Índia confirmaram, no dia 13 de janeiro, a identificação de dois novos casos de infecção pelo vírus Nipah no estado da Bengala Ocidental. O agente infeccioso é classificado como prioridade máxima pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao potencial de causar surtos graves e à ausência de vacina ou tratamento específico.
O vírus Nipah é uma doença zoonótica, ou seja, transmitida de animais para humanos. A infecção pode ocorrer por contato direto com animais contaminados, ingestão de alimentos infectados ou transmissão entre pessoas em situações específicas.
Morcegos frugívoros são considerados os principais reservatórios naturais do vírus. O primeiro surto conhecido foi registrado na Malásia, quando humanos foram infectados após contato com porcos, que também podem atuar como hospedeiros intermediários.
Na Índia, o histórico recente preocupa as autoridades sanitárias. Em 2024, um adolescente de 14 anos morreu após ser diagnosticado com a infecção. No ano anterior, em 2023, mais de 700 pessoas testaram positivo para o vírus no país, segundo dados oficiais.
Sintomas e gravidade da doença
De acordo com a OMS, o período de incubação do vírus varia entre quatro e 14 dias, embora já tenha sido registrado um caso com até 45 dias antes do aparecimento dos sintomas.
A infecção pode evoluir rapidamente para quadros graves de encefalite, uma inflamação do cérebro com alta taxa de mortalidade. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça, náuseas, vômitos, convulsões e alteração do nível de consciência. Em alguns casos, também surgem complicações respiratórias, como pneumonia.
Os sinais iniciais são pouco específicos, o que dificulta o diagnóstico precoce e a contenção de possíveis surtos. Fatores como o momento da coleta de amostras e a logística de envio para laboratórios especializados também interferem na precisão dos testes.
Existe tratamento para o vírus Nipah?
Até o momento, não há medicamentos específicos nem vacinas aprovadas contra o vírus Nipah. O tratamento adotado é de suporte, voltado ao controle dos sintomas e das complicações clínicas, como crises convulsivas e problemas respiratórios.
Alguns antivirais já foram utilizados de forma experimental em surtos anteriores, mas não existem evidências científicas suficientes que comprovem eficácia.
Há risco de o vírus chegar ao Brasil?
Especialistas afirmam que, atualmente, o vírus Nipah permanece restrito a regiões específicas da Ásia, como Índia, Malásia e Indonésia. O risco de disseminação para outros continentes é considerado baixo, desde que não ocorra uma transmissão sustentada entre humanos em larga escala.
As autoridades internacionais seguem monitorando a situação, especialmente em áreas onde há histórico recorrente da doença.
