Terremoto na Venezuela: número de mortos sobe para 3.342; ONU estima até 50 mil desaparecidos
Novo balanço oficial confirma 3.342 mortos, 16.470 feridos e milhares de desabrigados. ONU estima até 50 mil desaparecidos
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O governo da Venezuela atualizou neste domingo (5) o número de vítimas dos terremotos que atingiram o país no último dia 24 de junho. Segundo o novo balanço oficial, os tremores deixaram 3.342 mortos e 16.470 feridos, enquanto as equipes de resgate seguem atuando nas regiões mais afetadas em busca de sobreviventes.
Em relação ao levantamento anterior, divulgado no sábado (4), o número de mortes aumentou em 388 casos. Já o total de feridos apresentou redução de 122 registros, após a atualização dos dados pelas autoridades.
O governo também informou que 17.345 pessoas perderam suas casas em consequência da tragédia.
La Guaira concentra os maiores danos
Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, tiveram como principal área de impacto o estado de La Guaira, no norte da Venezuela. A região, localizada a cerca de 40 quilômetros de Caracas, registra o maior nível de destruição, com prédios que desabaram e milhares de moradores vivendo em abrigos improvisados instalados em parques e espaços públicos.
Embora a capital venezuelana também tenha sofrido danos, os impactos foram menos intensos. Em Caracas, a região de Chacao foi uma das mais atingidas, principalmente nos bairros Los Palos Grandes e Altamira.
ONU estima até 50 mil desaparecidos
O governo venezuelano não divulgou uma estimativa oficial sobre o número de desaparecidos. A Organização das Nações Unidas (ONU), porém, calcula que até 50 mil pessoas ainda possam estar desaparecidas.
A entidade mantém um acampamento para famílias desalojadas em La Guaira e participa das ações de assistência humanitária na região.
Na última segunda-feira (29), o coordenador humanitário da ONU na Venezuela informou que o organismo iniciou a aquisição de 10 mil sacos para armazenamento de corpos, diante da expectativa de aumento no número de vítimas fatais.
Críticas à resposta do governo
A atuação do governo venezuelano tem sido alvo de críticas de moradores das áreas atingidas, que apontam lentidão nas operações de emergência.
A líder interina Delcy Rodríguez rejeitou as críticas e afirmou que os trabalhos de busca e resgate continuam. Sem apresentar provas, ela acusou o que chamou de "laboratórios midiáticos" de tentar prejudicar a atuação das equipes responsáveis pelo atendimento às vítimas.
Ajuda internacional
Diante da dimensão da tragédia, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) solicitou US$ 50 milhões à comunidade internacional para prestar assistência a cerca de 500 mil pessoas pelos próximos três meses.
Segundo a ONU, 27 países enviaram equipes especializadas e cães farejadores para reforçar as buscas por sobreviventes sob os escombros.
O Brasil também ampliou o apoio à Venezuela. No sábado (4), o governo federal enviou seis toneladas de vacinas, medicamentos e outros insumos destinados às vítimas do desastre.
A carga inclui 250 mil doses de vacina antirrábica canina, 100 mil doses de vacina contra a febre amarela, medicamentos doados pela farmacêutica Eurofarma e equipamentos para o Hospital de Campanha da Marinha do Brasil instalado em La Guaira.
De acordo com o governo brasileiro, a operação humanitária não compromete os estoques nacionais de imunizantes.
Crise humanitária se agrava
Os terremotos agravaram uma situação humanitária que já era considerada crítica no país.
Antes mesmo da tragédia, a ONU estimava que quase 8 milhões de venezuelanos necessitavam de algum tipo de assistência humanitária, cenário que tende a se intensificar com os impactos provocados pelos abalos sísmicos.
