Nestlé avança com corte de 16 mil vagas e fecha fábricas na Europa; Brasil mantém investimentos
Reestruturação global prevê redução de postos de trabalho até 2027 e mudanças em unidades industriais; no Brasil, multinacional mantém plano de R$ 7 bilhões em investimentos
Por Julia Maraschi
Créditos: Divulgaçaõ
A Nestlé atravessa um amplo processo de reestruturação de suas operações mundiais, marcado por redução de custos, corte de pessoal e revisão de unidades industriais. A operação prevê a eliminação de cerca de 16 mil postos de trabalho e o encerramento de duas fábricas, além de mudanças nas unidades industriais da Europa, o plano tem como objetivo ser realizado até o final de 2027. Apesar da repercussão recente do assunto, o plano de demissões não é novo: os cortes foram anunciados pela companhia em outubro de 2025 e atingem diferentes mercados e áreas da multinacional.
Dos aproximadamente 16 mil postos que devem ser eliminados, cerca de 12 mil correspondem a funções administrativas e profissionais. Outros 4 mil integram medidas de produtividade relacionadas principalmente às áreas de fabricação e cadeia de suprimentos. Os cortes representam cerca de 5,8% do quadro global que a campanha possuía quando o plano foi anunciado, em outubro de 2025. Paralelamente, a Nestlé aumentou sua meta de economia de custos de 2,5 bilhões para 3 bilhões de francos suíços até 2027.
Quando comunicou a medida, a Nestlé informou que pretendia acelerar a redução de custos e simplificar sua estrutura. A companhia elevou de 2,5 bilhões para 3 bilhões de francos suíços a meta de economia do programa chamado “Fuel for Growth” até o fim de 2027.
A decisão, portanto, não significa que 16 mil funcionários serão demitidos no Brasil. O plano é global e envolve funções e operações distribuídas pelos países em que a companhia atua.
Mudanças chegam às fábricas
Além da redução do quadro de funcionários, a reorganização também provoca alterações na estrutura industrial da Nestlé.
Na Alemanha, a companhia anunciou ainda em março de 2025 o fechamento da fábrica localizada em Neuss, próxima a Düsseldorf. A previsão era encerrar as operações em meados de 2026.
A unidade empregava cerca de 145 pessoas e fabricava produtos da marca Thomy, como maionese, mostarda e óleos. Segundo a Nestlé, a decisão foi motivada, entre outros fatores, pelo aumento dos custos, queda nos volumes produzidos e existência de capacidade excedente na fábrica.
Parte da produção foi direcionada para outras unidades da companhia na Alemanha e em outros países europeus.
Outra mudança foi anunciada recentemente na Hungria. A Nestlé confirmou em julho que encerrará, em dezembro de 2026, a produção na fábrica de Diósgyőr.
A unidade é especializada na produção de figuras ocas de chocolate, principalmente produtos sazonais destinados a períodos como Páscoa e Natal. A fábrica empregava cerca de 220 pessoas em 2026 e exportava produtos para aproximadamente 20 países.
De acordo com a empresa, a queda na procura por chocolates sazonais reduziu significativamente o volume produzido no local. A Nestlé afirmou ainda que procura um investidor interessado em assumir a unidade e dar continuidade à fabricação de doces.
KitKat não será descontinuado
O encerramento da produção na unidade húngara também levantou dúvidas sobre marcas conhecidas do público, entre elas KitKat, Smarties e Milkybar.
A mudança, no entanto, não representa o fim dessas marcas. A fábrica de Diósgyőr produz apenas uma parcela específica de produtos, principalmente chocolates sazonais. Segundo a companhia, a fabricação desses itens deverá ser transferida para um parceiro externo que seguirá os padrões de qualidade da Nestlé.
Outras unidades da empresa na Hungria também permanecem funcionando normalmente.
Brasil segue recebendo investimentos
Enquanto reduz estruturas em alguns mercados, a situação é diferente no Brasil. A operação brasileira continua sendo considerada estratégica para a companhia.
Em junho de 2025, a Nestlé anunciou um ciclo de R$ 7 bilhões em investimentos no país entre 2025 e 2028, destinado à ampliação da capacidade produtiva, modernização de fábricas, inovação e projetos de sustentabilidade.
Segundo a própria empresa, o Brasil está entre os três maiores mercados da Nestlé no mundo. Entre os projetos previstos está a ampliação da fábrica de chocolates de Vila Velha, no Espírito Santo, com novas linhas destinadas à produção de chocolates, bombons e produtos que combinam biscoitos e chocolates.
A fábrica de cafés solúveis de Araras, em São Paulo, também receberá aproximadamente R$ 1 bilhão até 2028. O investimento deve modernizar a unidade e aumentar em cerca de 10% sua capacidade produtiva.
Em Montes Claros, Minas Gerais, outros R$ 450 milhões estão sendo aplicados na fábrica de Nescafé Dolce Gusto. A previsão é ampliar a capacidade da unidade em aproximadamente 40%.
Reestruturação continua até 2027
Os fechamentos de fábricas e as demissões fazem parte de uma estratégia mais ampla da Nestlé para reduzir custos, automatizar processos e concentrar investimentos nos negócios considerados com maior potencial de crescimento.
Nos resultados referentes a 2025, divulgados neste ano, a companhia voltou a confirmar a meta de reduzir aproximadamente 16 mil postos globalmente até o final de 2027.
Dessa forma, as notícias sobre o fechamento de unidades industriais em 2026 representam novos capítulos da reestruturação anunciada anteriormente, e não um novo anúncio de 16 mil demissões.
Ao mesmo tempo em que diminui estruturas em determinados mercados, a multinacional mantém investimentos bilionários em regiões consideradas estratégicas.
Créditos: Julia Maraschi
