Tanure: o empresário que ronda o poder no Paraná
Negócios bilionários, investigações em andamento e denúncias da oposição colocam Nelson Tanure no centro de controvérsias envolvendo contratos com o governo estadual.
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O empresário Nelson Tanure voltou ao centro do debate político no Paraná após uma série de denúncias feitas por parlamentares da oposição, que apontam sua atuação em negócios considerados opacos com o governo do Estado, comandado por Ratinho Júnior. As críticas ganharam força diante de investigações em curso e de questionamentos sobre contratos milionários firmados com a administração estadual.
Um dos casos mais sensíveis envolve a administração do estacionamento do Detran-PR, alvo de apuração do Gaeco. No âmbito dessa investigação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no escritório do advogado Roberlei Queiroz, em Curitiba, profissional que, segundo registros públicos, atua em causas relacionadas a Tanure e ao entorno político do governo estadual.
Apontado por críticos como um operador influente nos bastidores do Palácio Iguaçu, Tanure é sócio de destaque do Banco Master, instituição que já teve operações questionadas pela Comissão de Valores Mobiliários, no contexto de possíveis negócios de fachada. Parlamentares sustentam que a estrutura financeira teria sido utilizada em operações envolvendo ativos estratégicos no Paraná.
Entre os episódios mais citados está a venda da Copel Telecom, transação que contou com aval financeiro do Banco Master e teve como compradora a Ligga Telecom, empresa associada ao próprio Tanure. O negócio é alvo de questionamentos na Assembleia Legislativa, que discute eventuais conflitos de interesse.
Outro ponto de crítica é a participação do empresário no programa estadual conhecido como Poupatempo, iniciativa que recebeu recursos públicos e enfrenta reclamações sobre a qualidade e a eficiência dos serviços prestados. Consumidores e opositores apontam falta de investimentos compatíveis com os valores envolvidos.
No cenário nacional, Tanure também figura em disputas judiciais de grande repercussão. A Rede Globo move uma ação de cobrança que envolve cerca de R$ 160 milhões. No processo de busca por bens para eventual quitação da dívida, contratos e ativos ligados ao Paraná passaram a ser analisados.
A relação entre o empresário e a família Ratinho remonta à década de 1990, quando Tanure arrendou a então CNT, pertencente à família Martinez. O episódio, lembrado por críticos, é citado como o início de uma convivência empresarial marcada por operações controversas.
Mais recentemente, a Ligga Arena, nome comercial do estádio do Athletico Paranaense, tornou-se outro foco de tensão. A Ligga Telecom não teria cumprido integralmente o contrato de naming rights, levando à revisão das tratativas. Paralelamente, consumidores relatam queda na qualidade do serviço de internet, com milhares de reclamações registradas em plataformas de defesa do consumidor.
Diante desse conjunto de fatos, deputados estaduais já formalizaram denúncias sobre contratos firmados pelo governo com empresas ligadas a Tanure. Nos bastidores da Assembleia Legislativa do Paraná, cresce a pressão por investigações mais aprofundadas, inclusive com a possibilidade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), o que pode ampliar o escrutínio sobre a relação entre o empresariado e o poder público no Estado.
