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PF investiga aportes de Nelson Tanure e suspeita de controle oculto do Banco Master

Ainda em 2025, a Gazeta do Paraná, por meio do GCast, já havia revelado as ligações do empresário com o Banco Master

PF investiga aportes de Nelson Tanure e suspeita de controle oculto do Banco Master Créditos: Redes sociais

Transações financeiras envolvendo fundos controlados pelo empresário Nelson Tanure passaram a ser o foco da segunda fase da operação da Polícia Federal sobre o Banco Master, deflagrada nesta quarta-feira (14). As apurações miram aportes expressivos realizados por Tanure, especialmente por meio de fundos offshore, como o Estocolmo, e levantam a suspeita de que essas operações tenham, na prática, lhe conferido o controle da instituição.

Ainda em 2025, a Gazeta do Paraná, por meio do GCast, já havia revelado as ligações do empresário com o Banco Master e apontado a possibilidade de Tanure atuar como sócio oculto. Nesta quarta-feira, o jornal O Globo informou que Tanure se tornou um dos alvos centrais da nova etapa da operação, em razão das injeções de recursos feitas no banco comandado por Daniel Vorcaro por meio de fundos offshore, entre eles o Estocolmo.

Segundo a investigação, desde 2020 Tanure teria aportado cerca de R$ 2,5 bilhões no Banco Master por meio da compra de debêntures da Banvox, empresa de participações cujo único investimento sempre foi o próprio banco. Como esse tipo de título permite a quitação da dívida com ações, a PF avalia que, na prática, Tanure detinha o controle da Banvox — e, por consequência, influência decisiva sobre o Master — por meio dos fundos que administrava.

A suspeita dos investigadores é de que a Banvox tenha sido utilizada para capitalizar o banco em uma operação deliberadamente complexa, estruturada em etapas que dificultariam a identificação dos verdadeiros acionistas. Tanure foi alvo de mandado de busca e apreensão durante o embarque em um voo doméstico para Curitiba, no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.

As operações já vinham sendo investigadas desde o ano passado pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF). Em ao menos um dos casos analisados, envolvendo a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), o empresário é acusado de desviar recursos do caixa para investir em outras empresas de seu próprio grupo.

Teia complexa

O primeiro aporte relevante da Banvox no Banco Master ocorreu em dezembro de 2022, quando a instituição possuía cerca de R$ 600 milhões em patrimônio. Na ocasião, a empresa criada pela Trustee DTVM, ligada a Maurício Quadrado — ex-sócio e ex-diretor do banco — emitiu R$ 700 milhões em debêntures, compradas pelo fundo Estocolmo. Para os investigadores, essa operação já indicava que Tanure exercia influência dominante sobre o banco.

Documentos analisados pela PF apontam que os verdadeiros controladores da Banvox eram fundos ligados a Tanure. Além do Estocolmo, com 11,4% de participação, o fundo Aventti detinha 44,32%, somando 55,37% do capital e tornando o empresário o principal acionista da empresa responsável por aportar bilhões no Banco Master.

Em agosto de 2024, quando o banco enfrentava dificuldades para comprovar ao Banco Central sua liquidez financeira, a Banvox passou por um processo de cisão. Maurício Quadrado deixou a empresa, que passou a ser integralmente controlada pela DV Holding, ligada a Daniel Vorcaro. O laudo da cisão indicou que a Banvox detinha então 22% do Banco Master e havia desembolsado R$ 2,5 bilhões por essa participação, avaliação que estimaria o valor total da instituição em R$ 11,2 bilhões — cifra que chamou a atenção dos investigadores.

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