Superlotação no HUOP expõe falhas na regulação e pressiona atendimento em Cascavel
Reunião na Câmara aponta excesso de encaminhamentos e concentração de pacientes à noite como principais gargalos
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A superlotação do Hospital Universitário do Oeste do Paraná e o alto volume de encaminhamentos regulados foram tema de uma reunião realizada nesta quarta-feira (22) na Câmara de Cascavel. O encontro reuniu vereadores, autoridades da saúde e representantes do sistema para discutir os principais gargalos no atendimento.
O debate foi convocado pelo vereador Edson Souza, presidente da Comissão de Saúde, e contou com a participação de membros da comissão, gestores hospitalares, representantes do Consamu, da 10ª Regional de Saúde, do Ministério Público e da Secretaria Municipal de Saúde.
O diagnóstico apresentado de forma conjunta indica que a superlotação do hospital não está relacionada apenas à falta de leitos, mas principalmente ao modelo de regulação e ao volume de encaminhamentos acima da capacidade planejada. Casos que poderiam ser resolvidos na média complexidade acabam sendo direcionados ao HUOP, referência em atendimentos de alta complexidade na região.
Durante a reunião, o diretor administrativo do hospital, Rodrigo Barcella, destacou que, apesar de esforços internos para reorganização e ampliação da capacidade de resposta, a demanda segue crescente. Segundo ele, um dos principais problemas é a concentração de pacientes no período noturno.
De acordo com os participantes, muitos pacientes permanecem regulados ao longo do dia e acabam sendo encaminhados simultaneamente à noite, gerando picos de atendimento que sobrecarregam equipes e desorganizam o fluxo interno do hospital. Essa dinâmica foi apontada como um dos principais desafios operacionais da unidade.
O promotor Felipe Segura Guimarães Rocha afirmou que acompanha a situação e destacou a necessidade de identificar gargalos tanto na regulação quanto nos fluxos internos, especialmente diante da concentração de atendimentos em horários específicos.
Pela 10ª Regional de Saúde, o diretor Rubens Griep apontou fragilidades na origem da demanda e na inserção dos pacientes no sistema, o que contribui para o aumento da pressão sobre o hospital. Segundo ele, o modelo de regulação ainda precisa avançar para garantir maior equilíbrio no fluxo assistencial.
Representantes do Consamu também destacaram que a distribuição dos transportes de pacientes ao longo do dia influencia diretamente o funcionamento da rede, com maior concentração de deslocamentos no período noturno.
No âmbito interno, o médico regulador Clóvis Casagrande Junior ressaltou que há esforços contínuos para organização, mas o processo ainda está em evolução. Situações em que pacientes são encaminhados e liberados no mesmo dia seguem como pontos de atenção.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que vem intensificando a qualificação dos encaminhamentos, com capacitações e maior controle sobre os pedidos inseridos no sistema de regulação.
Como encaminhamento, foi proposta a criação de um grupo técnico para revisar o fluxo de regulação, aprimorar critérios de encaminhamento e fortalecer a integração entre os órgãos envolvidos.
A reunião reforçou a necessidade de ajustes estruturais no sistema de saúde para reduzir a sobrecarga e garantir o funcionamento adequado do HUOP, considerado referência regional no atendimento de alta complexidade.
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