Saneamento precário e problemas estruturais geram críticas ao Programa Parceiro da Escola em colégio de Curitiba
Comunidade escolar relata agravamento das condições após unidade ser incluída no modelo de gestão privada adotado pelo governo do Paraná
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Gelinton Cruz / APP-Sindicato
O Colégio Estadual Protásio de Carvalho, localizado na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), voltou ao centro das discussões sobre o Programa Parceiro da Escola após denúncias de problemas de infraestrutura e saneamento. Trabalhadores da unidade afirmam que o esgoto tem transbordado e escorrido a céu aberto nas proximidades da entrada da escola, gerando forte mau cheiro e preocupações com a saúde da comunidade escolar.
Segundo relatos apresentados pela APP-Sindicato, a situação ocorre próximo à cozinha e a uma quadra esportiva utilizada pelos estudantes. Dirigentes da entidade realizaram uma visita ao colégio na última segunda-feira (1º) após receberem vídeos enviados por integrantes da comunidade escolar mostrando a falta de água em sanitários e torneiras, comprometendo as condições de higiene no ambiente.
Durante a inspeção, representantes do sindicato apontaram ainda uma série de outros problemas estruturais. Na cozinha, a pia utilizada para o preparo dos alimentos estaria quebrada e remendada de forma improvisada. Vazamentos também foram identificados em cubas e tanques, obrigando funcionárias a utilizarem baldes para conter a água que escorre pelo piso.
Em diferentes áreas da escola, foram observadas paredes com pintura desgastada, fios expostos e relatos de goteiras em períodos de chuva. Educadores ouvidos pela entidade afirmaram que o telhado necessita de reparos mais amplos, mas alegam que a empresa responsável pela gestão administrativa da unidade não tem executado intervenções de maior porte.
Outro ponto destacado pela APP-Sindicato foi o acúmulo de móveis escolares nos fundos do colégio. Dezenas de cadeiras e carteiras substituídas por novas permanecem armazenadas ao relento, o que, segundo a entidade, contribui para a deterioração do patrimônio público e pode favorecer a proliferação de insetos e animais peçonhentos.
A escola integra o Programa Parceiro da Escola desde 2025. O modelo foi criado pela Lei Estadual 22.006/2024 e transfere parte da gestão administrativa de unidades da rede estadual para empresas privadas contratadas pelo governo. O Protásio de Carvalho foi incluído no programa após um processo de consulta pública realizado em dezembro de 2024 que não atingiu o quórum mínimo estipulado pela Secretaria de Estado da Educação (Seed). Mesmo sem a aprovação formal da comunidade escolar, a adesão foi mantida pelo governo estadual.
Para a APP-Sindicato, os problemas constatados reforçam críticas feitas desde a criação do programa. A entidade afirma que a gestão privada aumentou a burocracia para a realização de reparos e manutenção, além de questionar os custos e a transparência dos contratos firmados pelo Estado.
O programa também é alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7684) em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). O julgamento foi iniciado em maio, mas acabou suspenso após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. Até o momento, o relator do processo, ministro Nunes Marques, votou pela inconstitucionalidade de dispositivos do decreto que regulamenta o programa, incluindo trechos relacionados à contratação de professores por empresas privadas e à exclusão de estudantes de 16 e 17 anos das consultas sobre adesão ao modelo.
Enquanto o debate jurídico segue em Brasília, denúncias como as registradas no Colégio Protásio de Carvalho mantêm acesa a discussão sobre os impactos da gestão privada nas escolas públicas paranaenses.
