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Sistema FAEP critica proposta de jornada 6×1 e aponta impacto bilionário no agro

Entidade pede rejeição do PL 1.838/2026 e alerta para aumento de custos, perda de competitividade e risco de alta nos alimentos

Por Eliane Alexandrino

Sistema FAEP critica proposta de jornada 6×1 e aponta impacto bilionário no agro Créditos: Divulgação

O Sistema FAEP encaminhou ofício a deputados federais e senadores solicitando a não aprovação do Projeto de Lei nº 1.838/2026, que propõe a redução da jornada semanal para até 40 horas e amplia o descanso remunerado para dois dias. Segundo a entidade, a medida pode comprometer a eficiência produtiva do setor agropecuário e gerar impactos econômicos relevantes.

De acordo com o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, as características do meio rural, como sazonalidade, dependência climática e necessidade de operação contínua em determinados períodos, tornam a proposta incompatível com a dinâmica do campo.

“A mudança na jornada de trabalho terá impacto significativo no meio rural. Os efeitos colaterais serão inúmeros e negativos se esse projeto de lei passar”, afirmou.

Levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da entidade aponta que a redução da jornada no modelo 6×1 pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano na agropecuária do Paraná. O cálculo considera cerca de 645 mil postos de trabalho no setor e uma massa salarial anual estimada em R$ 24,8 bilhões, incluindo encargos como FGTS, INSS patronal, férias e 13º salário.

Com a redução da carga horária, o estudo indica a necessidade de reposição de aproximadamente 16,6% da força de trabalho para suprir o chamado “vácuo operacional”.

Segundo Meneguette, a mudança pode provocar aumento da informalidade, substituição de trabalhadores, avanço da automação sem planejamento e pressão sobre os preços de alimentos.

“Esse aumento de custo de produção será repassado ao longo da cadeia produtiva até chegar à população”, destacou.

O impacto varia entre os segmentos do agro paranaense. Na avicultura e suinocultura, o custo adicional estimado é de R$ 1,72 bilhão por ano. Na cadeia de grãos, que inclui soja, milho e trigo, o impacto pode chegar a R$ 900 milhões anuais. No setor de laticínios, a estimativa é de R$ 570 milhões por ano. Já nas cadeias de cana-de-açúcar, café, fumo e hortifrúti, o impacto projetado soma R$ 910 milhões anuais.

Diante do cenário, o Sistema FAEP defende a realização de estudos técnicos mais aprofundados sobre os efeitos econômicos e sociais da proposta, além da valorização da negociação coletiva e da articulação entre políticas trabalhistas e desenvolvimento econômico.

“A valorização do trabalhador é legítima, mas medidas dessa magnitude, sem planejamento, podem gerar efeitos adversos para toda a sociedade”, concluiu o presidente da entidade.

Foto: Divulgação

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