Sinal de Frank na orelha pode indicar risco de infarto?
Dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como sinal de Frank, voltou a chamar atenção após morte do influenciador Henrique Maderite
Créditos: Reprodução/Instagram
Uma pequena marca na orelha tem despertado curiosidade e preocupação nas redes sociais. Trata-se do chamado sinal de Frank, uma dobra diagonal que atravessa o lóbulo da orelha e que, segundo estudos médicos, pode estar associada ao risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto.
A estrutura é uma prega visível na pele do lóbulo, geralmente inclinada em cerca de 45 graus. À primeira vista, parece apenas uma característica estética. No entanto, há mais de 50 anos médicos investigam se essa marca pode funcionar como um alerta para problemas nas artérias do coração.
O sinal recebeu esse nome em referência ao médico americano Sanders T. Frank, que descreveu a característica pela primeira vez em 1973, em publicação científica. Ele observou que pacientes com essa dobra na orelha também apresentavam sintomas relacionados à doença coronariana, como dor no peito e alterações nos exames cardíacos.
Desde então, pesquisas realizadas em diferentes países analisaram a relação entre a marca na orelha e o risco de infarto. Uma revisão científica citada pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica apontou que o sinal pode ser útil como indicativo complementar na avaliação médica.
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Em um dos estudos analisados, pesquisadores examinaram mais de 400 pacientes submetidos a exames das artérias coronárias. O resultado mostrou que pessoas com o sinal de Frank apresentaram maior incidência de obstruções nas artérias do coração. A sensibilidade do sinal foi de 51,3%, o que significa que pouco mais da metade dos pacientes com doença coronariana tinham a marca. Já a especificidade chegou a 84,8%, indicando que a maioria das pessoas sem a doença não apresentava a dobra.
Outra pesquisa, conduzida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), avaliou 110 participantes. Entre os pacientes com doença coronariana, 60% tinham a prega no lóbulo da orelha. No grupo sem diagnóstico cardíaco, a marca apareceu em apenas 30%.
Prega lobular
longitudinal
(PLD), também chamada de sinal de Frank, e prega
anterotragal
(PAT). (Miot et.al./Anais Brasileiros de Dermatologia/Reprodução)
Os especialistas alertam que o sinal de Frank não é um diagnóstico definitivo. Ele pode servir como um indicativo de risco, mas não substitui exames médicos, avaliação clínica e análise de fatores conhecidos, como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, sedentarismo e histórico familiar.
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Caso recente trouxe o tema de volta ao debate
O assunto ganhou repercussão após a morte do influenciador e empresário Henrique Maderite, aos 50 anos, vítima de um infarto fulminante. Segundo relatos da família, ele foi encontrado sem vida em sua propriedade rural em Ouro Preto, em Minas Gerais.
A viúva, Fernanda Maciel, relatou nas redes sociais que o empresário passou o dia realizando atividades rotineiras no local, incluindo passeio a cavalo e momentos de lazer. No fim da tarde, ele teria passado mal e foi encontrado caído por um amigo, que tentou prestar socorro até a chegada do atendimento médico. No entanto, ele já estava sem sinais vitais.
Henrique Maderite era natural de Belo Horizonte e acumulava mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais. Ele produzia conteúdo de humor e também atuava como empresário no setor agropecuário e no comércio digital.
Após a morte, internautas passaram a comentar sobre a presença da dobra no lóbulo da orelha, o que ampliou o interesse pelo tema e levou muitas pessoas a pesquisar sobre sinais na orelha relacionados ao infarto.
O que médicos recomendam observar
Especialistas explicam que o sinal de Frank pode indicar alterações na circulação sanguínea, possivelmente relacionadas ao envelhecimento ou ao acúmulo de gordura nas artérias. No entanto, ele deve ser analisado em conjunto com outros fatores de risco.
A orientação é procurar avaliação médica caso a pessoa apresente fatores como pressão alta, colesterol elevado, histórico familiar de doença cardíaca ou sintomas como dor no peito, falta de ar e cansaço excessivo.
O diagnóstico de doenças cardíacas depende de exames específicos, como eletrocardiograma, teste ergométrico e exames de imagem. A presença de marca na orelha, isoladamente, não confirma risco de infarto.

Prega lobular