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Avaliação no Iguaçu aponta Guto como inviável, e sucessão de Ratinho entra em fase decisiva

Fontes do Iguaçu veem Guto como inviável; pesquisas fracas, desgaste com áudios ligados à Sanepar e recados públicos de Greca desmontam o favoritismo e reabrem a sucessão no grupo de Ratinho

Por Gazeta do Paraná

Avaliação no Iguaçu aponta Guto como inviável, e sucessão de Ratinho entra em fase decisiva Créditos: Alep

A sucessão ao governo do Paraná deixou de ser um processo previsível e passou a expor tensões internas no grupo do governador Ratinho Junior. O nome do secretário Guto Silva, que durante meses foi tratado como opção natural para dar continuidade ao projeto político do atual governo, perdeu centralidade e já não é visto, no entorno do Palácio Iguaçu, como alternativa viável para encabeçar a disputa estadual. A avaliação predominante é de que insistir nessa candidatura representaria risco elevado ao grupo governista, com potencial de comprometer o capital político acumulado ao longo dos últimos anos. Um interlocutor resumiu o temor em termos ainda mais duros: “Se insistirem nesse nome, leva o grupo para o buraco.”

Esse reposicionamento ocorre em meio a dois fatores principais. O primeiro diz respeito ao desempenho eleitoral. Nas pesquisas de intenção de voto, Guto aparece com números considerados baixos e com dificuldade de alcançar reconhecimento popular fora do ambiente administrativo. Apesar da projeção interna e da proximidade com o governador, o secretário não conseguiu converter protagonismo de gestão em tração eleitoral ampla.

O segundo fator é o desgaste político provocado pela circulação de áudios vazados envolvendo o secretário. No material divulgado, interlocutores mencionam que Guto era responsável por autorizar  “coisa errada” no âmbito da administração estadual. Embora não haja, até o momento, investigação concluída ou responsabilização formal, o episódio passou a ser tratado como passivo político relevante em um cenário pré-eleitoral, ampliando resistências internas quanto à viabilidade do nome.

Enquanto isso, outras lideranças do próprio campo governista passaram a se posicionar de forma mais clara. Em entrevista concedida ao Diário de Maringá, o secretário e ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca foi questionado diretamente sobre a sucessão e possíveis composições. Ao ser perguntado se toparia ser vice de Guto Silva, respondeu: “Como no Vento Levou, depois que a casa da Scarlett O'Hara pegou fogo, eu penso amanhã.”

Na sequência, ao ser questionado se toparia compor com o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, Greca foi direto: “Com certeza.”

Ao ser provocado sobre a possibilidade de disputar o governo ou o Senado, confirmou que “Senado não. Governo, com certeza”. “Mas o bem bom pra mim é poder conduzir o Paraná e depois dar ao mais jovem a condição de me substituir”, disse.

A tradução política da fala é objetiva: Greca não demonstra entusiasmo com Guto e vê em Curi — ou em si mesmo — alternativas mais viáveis.

O mesmo cuidado discursivo apareceu na entrevista concedida por Ratinho Junior à Massa FM, durante o Show Rural, em Cascavel. Ao tratar da sucessão, o governador evitou qualquer indicação direta e afirmou que tem “a responsabilidade de apresentar alguém que possa dar continuidade” ao projeto de governo. Questionado especificamente sobre Guto, limitou-se a dizer que ele é “um dos nomes”, citando na sequência outras lideranças do PSD, como Greca e Alexandre Curi. A opção pelo plural reforçou a percepção de que não há sucessor definido.

O comportamento do radialista Cantini durante a entrevista também refletiu essa mudança de cenário. Diferentemente de outros momentos, em que assumiu postura mais enfática na consolidação da candidatura de Guto, o apresentador tratou a sucessão como disputa aberta.

O resultado é um quadro bastante distinto daquele observado meses atrás. O nome que parecia automático passou a ser questionado dentro do próprio grupo, enquanto outras lideranças ganham espaço e testam viabilidade. Para o núcleo governista, o desafio agora é preservar a narrativa de continuidade sem assumir riscos que possam comprometer o desempenho eleitoral.

A sucessão, portanto, entrou em sua fase mais sensível. Não se trata apenas de escolher um nome alinhado à gestão, mas de definir quem tem condições reais de sustentar o projeto nas urnas. Nesse novo desenho, Guto Silva parece ter deixado o tabuleiro.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp