Sanepar prepara leilão bilionário na B3 para entregar obra de abastecimento à iniciativa privada
Contrato estimado em R$ 2 bilhões prevê que empresa privada construa e alugue infraestrutura à Sanepar durante 20 anos
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Geraldo Bubniak/AEN
A Sanepar deu mais um passo na ampliação da participação da iniciativa privada em seus investimentos. A companhia publicou o edital de licitação internacional para contratar, por meio de um leilão na B3, em São Paulo, uma empresa que ficará responsável pela implantação do Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná (SAINP). O contrato tem valor estimado em cerca de R$ 2 bilhões ao longo de 20 anos.
O leilão está marcado para o dia 24 de setembro e será vencido pela empresa que apresentar o menor Valor Mensal de Locação (VML). Na prática, o grupo privado será responsável por elaborar os projetos, construir toda a infraestrutura e disponibilizar os ativos para que sejam operados posteriormente pela própria Sanepar, que pagará mensalmente pela utilização da estrutura.
A estatal defende que o modelo de locação de ativos permitirá acelerar a execução da obra em comparação com as licitações tradicionais. Segundo a empresa, a modalidade também amplia a possibilidade de adoção de novas tecnologias e torna o projeto mais atrativo ao mercado.
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, classificou a contratação como um marco para a companhia e afirmou que o modelo poderá servir de referência para futuros empreendimentos de saneamento no Paraná. Já a diretora de Investimentos, Leura Conte de Oliveira, destacou que o edital foi aperfeiçoado após consultas públicas e apresentações realizadas junto a investidores ao longo de 2025.
O empreendimento prevê a construção de duas novas captações de água, uma no Ribeirão Apertados e outra no Rio Taquaras, além de uma nova Estação de Tratamento de Água, uma Estação de Tratamento de Lodo e a ampliação da capacidade de reservação em Arapongas.
Embora a operação dos sistemas permaneça sob responsabilidade da Sanepar, o projeto reforça uma estratégia cada vez mais frequente da companhia de recorrer ao setor privado para viabilizar grandes investimentos em infraestrutura. O modelo transfere à empresa vencedora a construção e a propriedade dos ativos durante o período contratual, enquanto a estatal assume o pagamento pela utilização da estrutura ao longo de duas décadas.
