Por muitos anos, pessoas com diabetes tipo 2 conviveram com dúvidas sobre o uso de medicamentos para controle do colesterol, especialmente as estatinas, devido ao receio de que um leve aumento da glicemia pudesse prejudicar o tratamento da doença. No entanto, novas evidências científicas indicam que esse temor não se confirma na prática clínica.
Um estudo publicado em 30 de dezembro na revista Annals of Internal Medicine mostrou que as estatinas reduzem o risco de morte inclusive entre pacientes com diabetes tipo 2 classificados como de baixo risco cardiovascular. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Hong Kong, com base em dados de aproximadamente 400 mil pessoas acompanhadas por até dez anos.
De acordo com o médico Eric Yuk Fai Wan, líder do estudo, os resultados surpreenderam a equipe. “Esperávamos benefícios principalmente em pacientes de alto risco, mas observamos uma redução consistente da mortalidade também em grupos de baixo risco, especialmente entre aqueles com colesterol LDL elevado”, afirmou.
Os pesquisadores analisaram informações do banco de dados IQVIA e compararam adultos com diabetes tipo 2 que iniciaram o uso de estatinas com aqueles que não utilizaram o medicamento. Nenhum dos participantes apresentava, no início do acompanhamento, doenças cardíacas ou hepáticas graves. Os dados indicaram redução de cerca de 1% no risco de morte por qualquer causa entre pacientes de menor risco e de até 4,3% nos grupos com risco cardiovascular mais elevado.
O diabetes tipo 2 é caracterizado pela resistência à insulina ou pela produção insuficiente do hormônio, levando ao aumento da glicose no sangue. O tratamento envolve mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e atividade física, além do uso de medicamentos. Segundo os autores, os achados reforçam que as estatinas devem ser consideradas como estratégia de prevenção primária em adultos com a doença, mesmo quando o risco cardiovascular de curto prazo é baixo.
“O uso de estatinas deve ser avaliado para a maioria dos adultos com diabetes tipo 2, não apenas para aqueles de alto risco. A adesão ao tratamento a longo prazo é essencial, pois os benefícios se tornam mais evidentes com o passar dos anos”, concluiu Wan.
Com informações do Metrópoles

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