PSD fixa prazo para definir candidato à Presidência e antecipa decisão interna sobre 2026
Ao afirmar que o PSD escolherá seu candidato até 15 de abril, Gilberto Kassab impõe um cronograma à disputa interna e tenta reduzir incertezas envolvendo nomes como Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Marcelo Camargo / EBC
Se ainda havia alguma dúvida sobre a urgência da disputa interna no PSD, o presidente nacional do partido a dissipou nesta sexta-feira: a legenda pretende definir seu candidato à Presidência da República até 15 de abril de 2026. A afirmação foi feita por Gilberto Kassab a jornalistas durante um evento da Amcham — instrumento claro de que a sigla quer encerrar a fase de especulações e avançar para uma definição concreta.
Segundo Kassab, a escolha não será baseada apenas nas pesquisas eleitorais, mas também em uma avaliação política mais ampla, considerada “sensível” e determinante para a decisão final. Isso indica que fatores como desempenho eleitoral em diferentes regiões, capacidade de articulação e viabilidade de alianças serão levados em conta ao lado de números de intenção de voto.
Não é uma data simbólica: 15 de abril está muito próxima da janela de desincompatibilização que obriga governadores que desejam concorrer a deixar seus cargos. A urgência, portanto, é pragmática. Definir antes desse prazo permite ao escolhido concentrar esforços na construção de palanque, montagem de equipe e início de campanha em um calendário eleitoral apertado.
O anúncio de um prazo claro também revela que a direção do PSD busca evitar que a disputa interna se arraste ao longo do primeiro semestre, gerando ruídos que podem prejudicar a imagem pública do partido. Com três nomes fortemente cotados — Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite — a definição antecipada funciona como um mecanismo para reduzir incertezas.
O movimento também sinaliza ao mercado político que o PSD não pretende entrar na campanha presidencial como coadjuvante — e que pretende, sim, apresentar um nome próprio e competitivo. A insistência de Kassab em considerar fatores além das pesquisas sugere que a decisão pode não estar inteiramente nas mãos dos números imediatos, mas também em critérios estratégicos internos.
Em um ano eleitoral com polarização marcante e com prazos apertados, antecipar a escolha do candidato pode ser uma tentativa do PSD de ganhar densidade política e claridade de projeto antes que a disputa se torne um campo de colisão permanente. A data de 15 de abril, portanto, não é apenas um marco de calendário: é um relógio interno que agora começa a correr — e acelera a necessidade de respostas claras dentro da própria sigla.
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