Trump afirma que guerra contra o Irã termina quando ele decidir: "Muito à frente da programação"
Em entrevista ao Axios, presidente dos EUA diz que forças americanas causaram danos maiores que o previsto
Créditos: Thw White House
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou que a guerra contra o Irã poderá terminar quando ele decidir. A declaração foi dada nesta quarta-feira (11) durante entrevista ao site Axios.
Segundo Trump, os ataques realizados até agora provocaram mais danos do que o previsto inicialmente pelas forças americanas.
“A guerra está indo muito bem. Estamos muito à frente na nossa programação. Provocamos mais danos do que pensávamos ser possível”, declarou o presidente.
Ele também afirmou que restariam poucos alvos militares no território iraniano. Ainda assim, não detalhou quando os Estados Unidos considerariam concluídas as operações.
Objetivos da guerra seguem indefinidos
Apesar do discurso de avanço militar, o governo americano ainda não apresentou com clareza quais seriam as condições para encerrar o conflito.
Trump tem repetido que espera uma “rendição incondicional” do regime iraniano, sem explicar exatamente quais medidas seriam necessárias para atingir esse objetivo.
Enquanto isso, a Casa Branca mantém uma lista de metas militares para o conflito.
Em entrevista coletiva na terça-feira (10), a porta-voz do governo americano, Karoline Leavitt, afirmou que Washington busca impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, destruir a capacidade de produção de mísseis balísticos do país, enfraquecer a Marinha iraniana e reduzir a atuação de grupos aliados de Teerã no Oriente Médio.
Liberação de reservas de petróleo
Trump também anunciou que a Agência Internacional de Energia concordou em coordenar a liberação de reservas estratégicas de petróleo.
Segundo o presidente, cerca de US$ 400 milhões em reservas poderão ser liberados no mercado internacional para conter a alta no preço do petróleo causada pelo conflito.
“Isso vai reduzir substancialmente o preço do petróleo enquanto acabamos com essa ameaça à América e ao mundo”, afirmou.
Conflito avança para rota estratégica de petróleo
Apesar das declarações do governo americano, a guerra tem se ampliado nos últimos dias. O foco agora se concentra no Estreito de Hormuz, passagem marítima responsável por cerca de 20% do transporte mundial de petróleo e gás natural.
O Irã tem tentado bloquear a região para pressionar os países aliados dos Estados Unidos e impactar o mercado global de energia.
Nesta semana, forças iranianas passaram a atacar embarcações que atravessam o estreito. Um cargueiro com bandeira da Tailândia precisou ser evacuado após um incêndio a bordo nas proximidades de Omã. Outras embarcações atingidas conseguiram seguir viagem até portos dos Emirados Árabes Unidos.
O porta-voz militar iraniano, Ebrahim Zolfaqari, afirmou que o preço do petróleo pode disparar caso a instabilidade continue na região.
Segundo ele, o valor do barril poderia chegar a US$ 200 caso a segurança do Golfo Pérsico seja comprometida.
Atualmente, o barril do petróleo tipo Brent está sendo negociado acima de US$ 90 no mercado internacional, após ter se aproximado recentemente dos US$ 120.
Ataques no mar
Na terça-feira (10), os Estados Unidos anunciaram a destruição de 16 embarcações iranianas utilizadas para lançar minas marítimas no Golfo Pérsico.
De acordo com o Pentágono, a operação teve como objetivo impedir que o Irã bloqueasse a passagem de navios na região.
Autoridades americanas afirmam que grande parte da Marinha iraniana já teria sido neutralizada durante os confrontos recentes.
Divergência entre EUA e Israel
Outro fator que aumenta a incerteza sobre o fim da guerra é a diferença de posicionamento entre os Estados Unidos e Israel.
Embora Trump tenha sinalizado inicialmente a possibilidade de mudanças políticas no Irã, o governo americano passou a evitar declarações sobre mudança de regime em Teerã.
Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu tem defendido ampliar a pressão militar contra a República Islâmica e enfraquecer o governo iraniano.
Essa diferença de estratégia entre aliados também contribui para aumentar as dúvidas sobre quando e como o conflito poderá terminar.
