Crise no Estreito de Ormuz pressiona preço da gasolina; reservas estratégicas são liberadas
Barril do tipo Brent opera em alta após fechamento do Estreito de Ormuz. Para conter a crise, Agência Internacional de Energia anuncia liberação recorde de 400 milhões de barris
Créditos: Mapa/Divulgaão
A escalada do conflito no Oriente Médio voltou a pressionar o preço internacional do petróleo e já provoca reflexos no valor dos combustíveis em diferentes países. O movimento ocorre após novas tensões envolvendo o bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte de petróleo no mundo.
Nesta segunda-feira (16), o barril do petróleo Brent chegou a ultrapassar a marca de 106 dólares na abertura do mercado internacional, recuando posteriormente para cerca de 105 dólares.
O aumento do petróleo já impacta diretamente os preços dos combustíveis. Em Portugal, por exemplo, os valores voltaram a subir, com alta de cerca de 7 centavos de euro por litro na gasolina e de 8 centavos no diesel. Esses reajustes já consideram o desconto aplicado pelo governo nos impostos sobre combustíveis. Sem esse abatimento, a alta poderia chegar perto de 10 centavos por litro.
A instabilidade no mercado está ligada principalmente ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo. A passagem foi fechada por forças iranianas após a ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã no final de fevereiro.
Em entrevista ao jornal Financial Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte poderá enfrentar consequências graves caso os países aliados não ajudem a reabrir a rota marítima.
Segundo Trump, países que dependem do petróleo transportado pela região, como nações da Europa e a China, deveriam colaborar para garantir a segurança da navegação no local.
Reservas estratégicas liberadas
Diante da escalada de tensão e da volatilidade do mercado, a Agência Internacional de Energia anunciou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, a maior operação desse tipo já realizada pelo organismo.
Os Estados Unidos participarão da iniciativa com a liberação de 172 milhões de barris. Os primeiros 86 milhões de barris provenientes da reserva estratégica norte-americana devem começar a chegar ao mercado ainda nesta semana.
A expectativa é que a medida ajude a reduzir a pressão sobre os preços do petróleo, que seguem altamente sensíveis às tensões geopolíticas e aos ataques registrados na região do Golfo.
Rota estratégica para o petróleo mundial
O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima no planeta. Além do petróleo, a rota também é utilizada para o transporte de gás natural liquefeito e fertilizantes.
Nos últimos dias, petroleiros que transitavam pela região foram alvo de ataques atribuídos à Guarda Revolucionária Iraniana, como parte da resposta militar do país às ações conduzidas por Estados Unidos e Israel.
Diante do agravamento da situação, o conselho da Organização Marítima Internacional convocou uma reunião extraordinária para os dias 18 e 19 de março. O encontro deve discutir os impactos da crise no transporte marítimo internacional e possíveis medidas para garantir a segurança das rotas comerciais.
