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Fim do monopólio: Venezuela abre petróleo para empresas dos EUA em meio ao caos no Oriente Médio

Washington acelera parceria com Caracas e autoriza gigantes como Shell e Chevron a exportarem óleo venezuelano

Fim do monopólio: Venezuela abre petróleo para empresas dos EUA em meio ao caos no Oriente Médio Créditos: Divulgação/PDVSA

Enquanto o preço do petróleo dispara no mercado internacional por causa da guerra no Irã, os Estados Unidos ampliaram sua presença no setor petrolífero da Venezuela. Nesta semana, empresas norte-americanas receberam autorização do governo venezuelano para exportar petróleo e derivados para os EUA.

O anúncio foi feito pela estatal venezuelana Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) na última terça-feira (3).

Segundo a empresa, foram assinados contratos de fornecimento com companhias comercializadoras de petróleo e derivados destinados ao mercado norte-americano. A estatal afirmou que os acordos mantêm uma relação comercial histórica entre os dois países no setor energético.

Guerra pressiona preço do petróleo

A movimentação ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. No último fim de semana, Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, o que provocou novos confrontos na região.

Além de possíveis retaliações iranianas contra bases militares norte-americanas em países árabes, o conflito também afetou diretamente o mercado mundial de petróleo.

Ataques contra posições dos EUA em territórios aliados levaram países como Kuwait, Catar e Arábia Saudita a reduzir, e em alguns casos suspender temporariamente, a produção de petróleo.

Outro fator que pressionou os preços foi o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. Cerca de 20% da produção mundial de petróleo passa por essa rota estratégica.

Com o cenário de instabilidade, o preço do barril do tipo Brent subiu rapidamente. No fim de fevereiro, antes do início dos ataques, o combustível era negociado a US$ 72,82. Na sexta-feira (6), o valor ultrapassou US$ 93.

Aproximação entre Venezuela e EUA

A aproximação entre Caracas e Washington ganhou força após o governo de Donald Trump conceder licenças especiais para que empresas petrolíferas atuassem na Venezuela sem sofrer sanções dos Estados Unidos.

Entre as companhias beneficiadas pela autorização estão BP, Chevron, Eni, Repsol e Shell.

A primeira empresa a formalizar acordo com a PDVSA foi a Shell. As negociações ocorreram durante a visita do secretário do Interior dos EUA e presidente do Conselho Nacional de Domínio Energético, Doug Burgum, a Caracas.

Após o encontro, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que os acordos representam um passo importante para ampliar o desenvolvimento energético do país e gerar novas oportunidades econômicas.

Já Burgum afirmou que a parceria com a Venezuela faz parte da estratégia do governo norte-americano para reduzir o preço da gasolina nos Estados Unidos.

Mudanças na política petrolífera

A reaproximação entre os dois países começou após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, no início de janeiro.

Na ocasião, Donald Trump afirmou que a presença dos Estados Unidos na Venezuela estava diretamente ligada ao petróleo do país.

Pouco depois da mudança política em Caracas, o governo venezuelano anunciou um acordo para enviar 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. Washington passou a ser responsável pela venda do combustível no mercado internacional, com parte dos lucros repassada à Venezuela.

Em seguida, o governo interino apresentou uma reforma parcial da Lei de Hidrocarbonetos Orgânicos, criada em 2006 durante o governo de Hugo Chávez.

A mudança encerrou o monopólio estatal da PDVSA e abriu espaço para que petrolíferas estrangeiras atuem de forma independente no país.

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