Protesto, restrição e tensão marcam entrega de título a Guto Silva na Câmara de Maringá
Manifestação estudantil foi barrada na entrada do plenário enquanto secretário mantinha tom irônico nas redes
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Câmara de Maringá
A sessão solene que concedeu o título de cidadão honorário a Guto Silva, nesta terça-feira (17), na Câmara de Maringá, foi marcada por tensão, restrições de acesso e confronto político entre estudantes, parlamentares e a equipe de segurança do Legislativo.
Do lado de fora e nas imediações da Câmara, estudantes ligados à União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) tentaram acompanhar a cerimônia e protestar contra a homenagem. A mobilização havia sido convocada com críticas diretas ao secretário, incluindo a afirmação de que ele “nunca fez nada por Maringá” e questionamentos sobre sua atuação no estado.
O cenário dentro e fora do prédio, no entanto, foi de contenção. Segundo relatos, estudantes foram impedidos de entrar no plenário, mesmo se tratando de uma sessão pública. A restrição, atribuída à segurança da Casa, gerou reação imediata e levantou questionamentos sobre o direito de acesso da população às atividades do Legislativo.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a vereadora professora Ana Lúcia criticou a situação e relatou o que classificou como cerceamento. “Isso aqui é uma sessão pública. Não faz sentido impedir a entrada dos estudantes”, afirmou. Em outro momento, reforçou: “A Câmara é do povo, não pode ter esse tipo de restrição para quem quer acompanhar uma homenagem como essa”.
As imagens mostram a tentativa de acesso dos jovens e a intervenção da segurança, em um ambiente já tensionado pela convocação prévia do protesto. A vereadora ainda destacou que a presença dos estudantes era legítima e que a manifestação fazia parte do processo democrático. “Eles estão exercendo o direito de se manifestar. Isso precisa ser respeitado”, disse.
Enquanto o impasse se desenrolava na entrada da Câmara, o próprio Guto Silva alimentava o clima de confronto nas redes sociais. Ao compartilhar o card da UMES em seu perfil, reagiu com deboche e ironia, tratando a entidade estudantil como “sindicato” e sugerindo que a mobilização ajudaria a “lotar a Câmara” para sua homenagem.
Dentro do plenário, a sessão seguiu, mas sob o peso do ambiente externo. A homenagem, que já vinha cercada de questionamentos políticos desde sua aprovação, acabou marcada pela controvérsia e pela dificuldade de acesso ao espaço público.
O episódio escancara um cenário em que a concessão de títulos honorários deixa de ser apenas um ato protocolar e passa a carregar disputas políticas, institucionais e simbólicas. De um lado, a tentativa de celebração; de outro, a resistência organizada — ainda que contida na porta de entrada.
As imagens da sessão reforçam essa leitura: mesmo com presença de autoridades e apoiadores, há setores visivelmente esvaziados no plenário, enquanto o público se concentra em áreas específicas, em sua maioria ocupadas por assessores e convidados diretos. A distribuição irregular da plateia e a ausência de ocupação total do espaço contrastam com a expectativa criada em torno da solenidade e com o discurso de mobilização apresentado nas redes.
R$1 mi aos vereadores
O episódio também dialoga com um contexto político recente que ainda repercute em Maringá. Durante a tramitação da homenagem, veio à tona a menção a repasses de R$ 1 milhão a cada um dos vereadores proponentes do projeto. A referência ampliou o desgaste em torno da concessão do título e alimentou questionamentos sobre a relação entre recursos estaduais e decisões do Legislativo municipal, pano de fundo que ajuda a explicar o clima de contestação que marcou o ato desta terça-feira.
Créditos: Redação
