Polícia investiga Ratinho após ameaça a jornalista
Documento da Polícia Civil relata histórico de intimidações e menciona fala recente em programa de grande audiência como agravante
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Reprodução Facebook
Um boletim de ocorrência registrado na tarde desta quarta-feira, 1º de abril de 2026, na 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, formaliza denúncias de ameaças de morte contra o jornalista Marcos Formighieri, da Gazeta do Paraná. O documento, classificado como complementar, aponta uma escalada nas intimidações e atribui o episódio mais recente a declarações feitas pelo apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, em um programa de rádio de grande audiência.
De acordo com o registro policial, o jornalista afirma que vem sendo alvo de ameaças desde meados de 2025. Inicialmente, os contatos ocorreram por meio de ligações telefônicas anônimas feitas a um número vinculado ao jornal. Em um dos episódios descritos, um homem teria abordado o comunicador na saída de um evento na Prefeitura de Curitiba, fazendo menção direta à possibilidade de assassinato.
O boletim também relata que, em fevereiro deste ano, um interlocutor teria alertado o jornalista sobre uma suposta ordem para que ele fosse morto, aconselhando mudança de rotina. O notificante afirma que, à época, não deu grande atenção ao episódio, por não haver identificação do mandante e por considerar tratar-se de fonte não confirmada.
A situação, no entanto, ganha novos contornos com a inclusão de declarações públicas recentes. Segundo o documento, no dia 31 de março de 2026, o jornalista tomou conhecimento, por meio da mídia, de falas proferidas por Ratinho em programa da Rádio Massa FM, em São Paulo. No trecho destacado, o apresentador teria afirmado que “quebraria as pernas” do jornalista com um taco de beisebol e desejado que ele “fosse para o inferno”.
O boletim registra que Ratinho teria justificado a ameaça alegando que o jornalista teria atacado sua família, o que é contestado pelo comunicador. Segundo o relato, as críticas publicadas referem-se à atuação de familiares do apresentador em cargos públicos e não possuem caráter pessoal ou ofensivo.
Ainda conforme o documento, o jornalista afirma possuir a gravação do programa e sustenta que as declarações não têm caráter de mera retórica, mas configuram ameaça concreta à sua integridade física. O registro também destaca que, embora não houvesse contatos diretos recentes, as falas públicas teriam potencializado o risco, especialmente diante do histórico de intimidações.
A ocorrência foi enquadrada como crime de ameaça, previsto entre os crimes contra a pessoa. O ambiente foi classificado como virtual, com meio empregado identificado como internet, em razão da difusão do conteúdo.
O caso será apurado pela Polícia Civil do Paraná. O jornalista manifesta, no boletim, interesse em representação criminal contra o apresentador.
Créditos: Redação
