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A portas fechadas e sem ata, vereadores tentam emplacar vale-alimentação em Realeza

Falta de transparência, reunião secreta e suposta combinação de discurso entre vereadores colocam Câmara de Realeza no centro de nova polêmica política.

Por Eliane Alexandrino

A portas fechadas e sem ata, vereadores tentam emplacar vale-alimentação em Realeza Créditos: Divulgação

Uma reunião realizada a portas fechadas na Câmara Municipal de Realeza, no Sudoeste do Paraná, desencadeou forte repercussão política e uma onda de indignação popular após o vazamento de informações sobre a discussão de um projeto que previa a criação de um vale-alimentação para vereadores, com valores que poderiam ultrapassar R$ 1,5 mil.

Segundo informações apuradas pela reportagem, o encontro teria sido convocado pelo presidente da Câmara e ocorrido sem registro oficial em ata, o que levanta questionamentos sobre a transparência e a legalidade da condução dos trabalhos legislativos. A proposta discutida teria como base exemplos de outros municípios que já concedem benefícios semelhantes a parlamentares.

Relatos obtidos pela reportagem apontam ainda que o avanço do projeto teria sido condicionado à aprovação unânime entre os vereadores presentes. Durante a reunião reservada, 10 dos 11 parlamentares teriam se manifestado favoravelmente à criação do benefício.

O único voto contrário teria sido do vereador Renato Figueira, que se posicionou contra a proposta de criação do auxílio.

Com a divergência, o projeto acabou sendo “trancado” e não avançou para votação oficial em plenário. Mesmo assim, o caso ganhou grandes proporções após o vazamento de detalhes da reunião e de mensagens relacionadas à condução do encontro interno.

Em um dos relatos obtidos pela reportagem, um participante afirma que houve orientação para que todos os vereadores mantivessem o mesmo discurso caso fossem questionados pela população ou pela imprensa. O mesmo relato também menciona que a reunião não teria sido oficializada justamente para evitar questionamentos futuros e desgaste público.

A ausência de ata, a realização de uma reunião sem publicidade oficial e a suposta tentativa de alinhamento de narrativa entre parlamentares ampliaram as críticas sobre possível afronta aos princípios constitucionais da administração pública, especialmente os da publicidade, moralidade e transparência.

Nas redes sociais, moradores passaram a questionar tanto o valor discutido para o benefício quanto a forma reservada como o tema teria sido tratado dentro do Legislativo municipal. A repercussão provocou desgaste político entre os vereadores envolvidos e aumentou a pressão por esclarecimentos públicos.

A reportagem tenta contato com a assessoria da Câmara Municipal de Realeza para obter posicionamento oficial sobre a realização da reunião, a existência do projeto de lei e os critérios debatidos para eventual criação do benefício. Até o momento, a presidência da Casa não se manifestou oficialmente sobre o caso.

Os vereadores citados como favoráveis à proposta são:
Junior Costa
Policial Beato
Edilberto Zanandrea
Maneco Saúde
Sônia Saúde
Kabinho
Ozéias
André
Jair Mariote
Maria Tonelo

Foto: Divulgação

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