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Plano Safra e seguro rural exigem efetividade, cobra Faep na 38ª edição do Show Rural

Presidente da entidade aponta insegurança jurídica, invasões de terras, veto ao Marco Temporal e falta de recursos como entraves ao setor produtivo

Por Eliane Alexandrino

Plano Safra e seguro rural exigem efetividade, cobra Faep na 38ª edição do Show Rural Créditos: Assessoria Sindicato Rural de Cascavel

Durante a 38ª edição do Show Rural, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) reforçou a cobrança por um Plano Safra e um seguro rural com recursos garantidos e execução efetiva. Segundo o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, o setor produtivo enfrenta incertezas que vão além do crédito agrícola, envolvendo segurança jurídica, regularização fundiária e política comercial.

Meneguette destacou que a federação elabora e apresenta propostas aos candidatos e parlamentares federais do Paraná com foco nas demandas da agropecuária. No entanto, afirmou que, neste momento, as prioridades são claras: “Seguro rural e Plano Safra, sem dúvida nenhuma”.

De acordo com ele, há preocupação com a condução das políticas públicas voltadas ao campo. O presidente criticou o que classificou como anúncios “astronômicos” do Plano Safra, seguidos de contingenciamentos. “É anunciado um plano que supostamente atende a todos, mas depois os recursos não se confirmam. O seguro rural, que deveria ser robusto, acaba reduzido, e muitos produtores precisam arcar sozinhos com a subvenção”, afirmou.

A entidade também demonstrou insatisfação com o veto à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que previa tornar obrigatórios os recursos para o seguro rural e o Plano Safra no Orçamento da União. Segundo Meneguette, a Faep atua junto à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e ao deputado federal Pedro Lupion para tentar reverter o veto e garantir previsibilidade ao setor.

Outro ponto levantado foi a insegurança jurídica, especialmente em relação a invasões de propriedades rurais na região leste do Paraná. Meneguette afirmou que há “alerta e preocupação latente” entre os produtores.

Ele citou disputas judiciais envolvendo áreas reivindicadas por indígenas e criticou acordos relacionados à aquisição de terras pela Itaipu Binacional. Segundo o presidente da Faep, a federação não tem acesso às negociações e questiona os valores pagos aos proprietários. “Não é justo que produtores sejam forçados a negociar sem transparência. Defendemos que haja participação e acompanhamento para garantir que os direitos sejam respeitados”, declarou.

A entidade também mantém preocupação com o Marco Temporal. Após o veto presidencial ao projeto, a federação passou a atuar, em conjunto com outras entidades do setor, para tentar derrubá-lo no Congresso. Para a Faep, a definição do tema é fundamental para assegurar estabilidade jurídica aos produtores rurais.

Impactos comerciais e setor madeireiro

Meneguette ainda comentou os reflexos de medidas comerciais internacionais sobre a economia paranaense, citando dificuldades enfrentadas pelo setor madeireiro após restrições impostas pelos Estados Unidos. Segundo ele, empresas entraram em recuperação judicial ou encerraram atividades.

“O mercado não se abre da noite para o dia. Se um país fecha as portas, não é simples redirecionar a produção imediatamente para outro destino”, afirmou, defendendo maior agilidade diplomática para mitigar prejuízos.

Força do agro e apelo por diálogo

Ao destacar a relevância econômica do setor, Meneguette afirmou que a agropecuária sustentou o crescimento do Paraná nas últimas décadas. Ele citou a expansão do Produto Interno Bruto estadual como reflexo da força do campo.

Apesar das críticas, o presidente defendeu diálogo entre governo e setores produtivos. “O que pedimos é mais conversa e mais atenção a todos os segmentos da economia. Precisamos trabalhar em conjunto para continuar gerando emprego, renda e desenvolvimento”, concluiu.

Para a Faep, o momento exige menos discurso e mais garantia de recursos e segurança jurídica, sob risco de comprometer a competitividade do agronegócio paranaense e nacional.

Foto: Assessoria

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