Embrapa apresenta novas cultivares de feijão e tecnologias para ampliar a produtividade em 2026
Instituição lança quatro novas variedades de feijão e demonstra, no Show Rural Coopavel, como a ciência tem permitido aumentar a produção agrícola sem ampliar a área cultivada
Créditos: Eliane Alexandrino
A Embrapa Arroz e Feijão e parceiros lançam em 2026 quatro novas cultivares de feijão voltadas aos agricultores brasileiros. Dois materiais são do grupo carioca: BRS ELO FC424 e BRS FC429 e duas cultivares do grupo comercial preto BRS FP426 e BRS FP327. Todas apresentam elevada qualidade comercial, industrial e culinária, além de características agronômicas distintas, adaptadas a diferentes regiões e finalidades de cultivo.
Durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel, a Embrapa também apresenta um conjunto de tecnologias voltadas ao aumento da produtividade com sustentabilidade. Segundo a engenheira agrônoma da Embrapa, Divania de Lima, a pesquisa científica é fundamental para impulsionar o agronegócio brasileiro.
“A Embrapa é uma instituição pública federal, uma instituição de pesquisa, e nós estamos aqui trazendo diferentes tecnologias. A gente sabe que é a tecnologia que impulsiona o agro. Então, aqui nós estamos abrindo para o público informações do nosso banco ativo de germoplasma, que são linhagens introduzidas nos programas de melhoramento para conferir maior produtividade e sanidade”, explicou.
Divania também detalhou o chamado efeito Poupa-Terra, apresentado ao público durante a feira. “O pessoal fica muito curioso: o que é esse efeito Poupa-Terra? São tecnologias que foram introduzidas ao longo das décadas e que fazem com que a soja produza mais. Com isso, a gente deixa de utilizar mais terras. É mais ganho para o produtor rural, com mais tecnologia e menor custo de produção”, afirmou.
Ela destacou ainda que o uso de ferramentas como manejo integrado de pragas e doenças tem impacto direto na rentabilidade do agricultor. “Essas tecnologias fazem com que o agricultor tenha excelentes produtividades, reduzindo os custos de produção. Aliado a isso, nós temos cultivares de feijão, aquele feijão que a dona de casa gosta, feijão preto, feijão carioca, com maior tempo de prateleira, que mantém a coloração por mais tempo”, completou.
Novas cultivares de feijão
A BRS ELO FC424 é uma das cultivares lançadas em parceria público-privada com o Grupo ELO. O material é direcionado principalmente à Região Sul do Brasil, com potencial de expansão para o Centro-Oeste e Nordeste. Destaca-se pelo elevado potencial produtivo, excelente qualidade comercial dos grãos, de coloração bege muito clara, arquitetura ereta e moderada resistência ao acamamento, sendo totalmente adaptada à colheita mecanizada direta. Apresenta resistência moderada à mancha-angular e resistência intermediária a doenças de solo, como murcha de fusário e podridões radiculares.
A outra cultivar do grupo carioca, BRS FC429, atende a uma demanda de alto valor agregado do mercado: o escurecimento lento dos grãos. Essa característica proporciona maior flexibilidade de comercialização ao produtor e maior tempo de prateleira para a indústria. O material apresenta produtividade consistente em diferentes ambientes, arquitetura ereta com resistência ao acamamento, tolerância ao Fusarium oxysporum e ampla adaptação às regiões Central, Centro-Sul e Nordeste do país.
No grupo comercial preto, a BRS FP426 foi desenvolvida para oferecer maior segurança agronômica em ambientes de maior risco sanitário, especialmente sob irrigação por pivô central ou em áreas com histórico de doenças de solo. O principal diferencial da cultivar é a tolerância ao Fusarium oxysporum, o que reduz perdas, amplia a previsibilidade da produção e favorece sistemas intensivos de cultivo. A variedade combina boa produtividade, arquitetura ereta e qualidade comercial consistente.
Já a BRS FP327 se destaca pelo ciclo precoce, alta produtividade e excelente qualidade comercial dos grãos. O material é adaptado à colheita mecanizada direta e apresenta resistência moderada à antracnose, murcha de fusário e podridões radiculares. Embora seja suscetível a crestamentos bacterianos e mancha-angular, apresenta desempenho superior em áreas de baixa pressão bacteriana e sistemas bem manejados.
Tecnologias Poupa-Terra
Ao longo do Show Rural Coopavel, a Embrapa demonstra, de forma didática, o impacto do efeito Poupa-Terra na produção agrícola brasileira. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, na década de 1970, a produtividade média da soja era de 1.487 quilos por hectare.
O pesquisador da Embrapa, André Prando, explicou a evolução da produtividade ao longo dos anos. “Na década de 70, a produtividade média da soja era de 1.487 quilos por hectare. Hoje, a produtividade média passa dos 3.500 quilos. Se a gente mantivesse os padrões produtivos daquela época, precisaríamos mais que dobrar a área cultivada de soja”, afirmou.
Segundo ele, o avanço tecnológico reduziu significativamente o impacto ambiental. “Hoje temos em torno de 45 milhões de hectares de soja. Se não fosse essa produtividade, com certeza teríamos que usar muito mais área, e o impacto ambiental seria muito maior. Com a tecnologia, a gente consegue proteger o meio ambiente e entregar ao produtor boa produtividade e rentabilidade”, destacou.
O analista da Embrapa Soja, Rogério Borges, reforçou os dados. “Se considerarmos a produção atual de soja no Brasil em torno de 170 milhões de toneladas e mantivermos a produtividade média da década de 1970, seria necessária uma área de produção de aproximadamente 115 milhões de hectares. Na última safra, a área nacional foi de 47,6 milhões de hectares, ou seja, cerca de 67 milhões de hectares foram poupados”, ressaltou.
A vitrine tecnológica da Embrapa no evento apresenta ainda cultivares de soja altamente produtivas, evidenciando o papel do ganho genético no efeito Poupa-Terra, entre elas BRS 546, BRS 539, BRS 6105RR, BRS 5804RR, BRS 559RR, BRS 1064 IPRO, BRS 1061 IPRO, BRS 1056 IPRO, BRS 1054 IPRO, BRS 2553 XTD, BRS 2361 I2X e BRS 2058 I2X.
Foto: Eliane Alexandrino
