Impeachment de Toffoli: Pesquisa revela que maioria apoia afastamento após caso Banco Master
Levantamento da AtlasIntel mostra que quase metade da população quer a saída imediata do ministro. Desgaste envolve Banco Master e o resort Tayayá
Créditos: Ascom/STF
Uma pesquisa da AtlasIntel, divulgada pelo jornal Estado de S. Paulo, aponta que a maioria dos brasileiros defende o impeachment do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em meio às suspeitas relacionadas ao caso do Banco Master.
De acordo com o levantamento, 49,3% dos entrevistados apoiam o afastamento imediato do magistrado. Outros 33,7% defendem a medida, mas apenas após a comprovação de irregularidades. Somados, os números indicam que mais de 80% da população considera necessária alguma forma de responsabilização.
Por outro lado, 12,8% se disseram contrários ao impeachment, enquanto 4,1% não souberam opinar.
A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 19 de março de 2026, com 2.090 entrevistados em todo o país, por meio de questionários online. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Desgaste e pressão pública
O resultado reflete um cenário de desgaste da imagem do STF junto à opinião pública, intensificado após o avanço das investigações envolvendo o Banco Master.
Para o jurista e ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Walter Maierovitch, o índice já era esperado diante das denúncias recentes.
“É um resultado esperado depois de todas essas revelações. Se ele cometeu ilícitos e se existem indicativos, tem que ser apurado”, afirmou.
As críticas ao ministro ganharam força após ele assumir a relatoria do inquérito que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial por determinação do Banco Central em meio a suspeitas de fraudes.
Decisões sob questionamento
Desde então, decisões adotadas por Toffoli passaram a ser contestadas por investigadores e especialistas. Entre os pontos criticados estão a manutenção de materiais apreendidos sob custódia do STF, a realização de acareações ainda no início das apurações, a escolha direta de peritos e a fixação de prazos considerados curtos para análise de provas.
Segundo Maierovitch, esse conjunto de medidas contribuiu para a perda de confiança. “Isso tudo gera esse descrédito”, declarou.
Ligações e investigação
Reportagens também apontaram conexões envolvendo familiares do ministro e empreendimentos ligados a estruturas investigadas no caso. Irmãos de Toffoli teriam transferido participação no resort Tayayá, no Paraná, para um fundo relacionado à Reag Investimentos, empresa associada a operações sob investigação.
A negociação foi feita por meio da empresa Maridt, da qual o próprio ministro posteriormente admitiu ser sócio. O empreendimento também envolveu fundos ligados ao empresário Fabiano Zettel, com valores estimados em R$ 6,6 milhões.
Além disso, relatório da Polícia Federal, com base em dados extraídos do celular de Vorcaro, apontou possíveis conexões entre o banqueiro e o ministro, o que levou Toffoli a deixar a relatoria do caso.
Repercussão no Congresso
O caso também repercutiu no Congresso Nacional. Em fevereiro, senadores protocolaram ao menos dez pedidos de impeachment contra o ministro.
Paralelamente, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou medidas como quebras de sigilo relacionadas às investigações. Parte dessas decisões, no entanto, foi posteriormente anulada pelo ministro Gilmar Mendes, gerando críticas entre parlamentares.
Nesta semana, novas deliberações da CPI, que incluíam outras quebras de sigilo envolvendo o fundo Arleen, também foram suspensas, ampliando o embate entre Legislativo e Judiciário.
Avaliação negativa
O levantamento também mostra a percepção negativa da atuação de Toffoli no STF. Apenas 9% dos entrevistados avaliam seu desempenho como positivo, enquanto 81% classificam como negativo.
O ministro Gilmar Mendes também aparece com alta rejeição: 67% de avaliação negativa, contra 20% positiva.
