Pedágio em Rolândia: DER/PR recua e retira free flow do perímetro urbano
Após pressão social e política, o DER/PR e concessionária retiram a proposta de free flow no perímetro urbano de Rolândia, mantendo a cobrança na praça física de pedágio antes da assinatura do contrato
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Roberto Dziura Jr/AEN
O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) anunciou, nesta sexta-feira (neste início de fevereiro), que obteve da concessionária do Lote 4 a retirada da proposta de instalação do sistema free flow — cobrança automática e sem cabines — no perímetro urbano de Rolândia, no Norte do estado. A decisão representa um recuo importante na polêmica das novas concessões rodoviárias e responde a uma pressão crescente de moradores, lideranças locais, deputados e do próprio governo estadual.
O chamado free flow permite a cobrança de pedágio sem cabines físicas, por meio de leitura eletrônica de placas ou tags — modelo já utilizado em rodovias urbanas de São Paulo e outras regiões. A concessionária responsável pelo Lote 4 — o Grupo EPR — havia sinalizado que pretendia instalar um pórtico desse tipo em trecho urbano de Rolândia, gerando forte reação da população.
O DER/PR e a Secretaria de Infraestrutura e Logística (SEIL) afirmam que, após diálogo com a empresa e considerando as reclamações de usuários, ficou acordado que o equipamento não será mais colocado no perímetro urbano, mas na praça de pedágio tradicional já existente. A cobrança seguirá o modelo clássico, com cabines e postura física de contagem, respeitando a dinâmica das cidades e minimizando impactos sobre deslocamentos curtos dentro da malha urbana.
A proposta de free flow havia se tornado um dos principais pontos de crítica não só entre motoristas e moradores de Rolândia, mas também entre parlamentares estaduais. Nas últimas semanas, deputados de diferentes espectros políticos e lideranças regionais passaram a denunciar que a cobrança automática no perímetro urbano oneraria cidadãos que utilizam a rodovia para atividades cotidianas — trabalho, estudo ou comércio — sem representar deslocamento intermunicipal.
Em discurso recente na Assembleia Legislativa do Paraná, parlamentares defenderam que a instalação do pórtico urbano feria a lógica original dos contratos de concessão e ocorria sem diálogo técnico ou social prévio, provocando prejuízos locais e dúvidas sobre a fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres no processo.
Impactos na assinatura do contrato
A mudança acontece às vésperas da assinatura do contrato de concessão do Lote 4, programada para o próximo 6 de fevereiro de 2026. Depois da assinatura, a concessionária terá um prazo de até 30 dias para iniciar os trabalhos de recuperação, sinalização e instalação de serviços de atendimento ao usuário (como ambulância, guincho e inspeção), etapa necessária para que a ANTT autorize o início da cobrança efetiva de tarifas.
A retirada do free flow urbano evita um mal-estar imediato entre motoristas e moradores próximos, mas não encerra a discussão sobre o novo modelo de pedágio. Deputados e lideranças têm manifestado preocupação com outras possíveis implantações de pórticos eletrônicos próximos a perímetros urbanos — algo que, segundo eles, precisa de estudos de impacto mais aprofundados e maior participação da sociedade civil nas decisões.
Reações e próximos passos
Moradores de Rolândia e vereadores locais receberam com alívio e cautela a notícia. Representantes comunitários afirmaram que a retirada do sistema eletrônico do perímetro urbano corrige uma “injustiça técnica” e respeita a rotina dos usuários da rodovia — muitos dos quais fazem pequenos deslocamentos diários dentro da cidade e seriam penalizados com a cobrança automática.
Do lado político, a posição agora é acompanhar com atenção a etapa de implantação de obras e a análise final dos dispositivos do contrato, para garantir que as alterações feitas durante o processo pré-contratual sejam mantidas. A expectativa é de que os rumos das concessões e dos pedágios no Paraná continuem a ser pauta intensa nas próximas semanas, inclusive com novas reuniões entre poder público, concessionária e representantes da sociedade.
Créditos: Redação
