Paraná tem quase 600 mil doadores de medula óssea cadastrados
Estado reúne 597,6 mil voluntários no Redome, o equivalente a 10% dos doadores do Brasil; Hemepar registrou mais de 3 mil novos cadastros em 2026
Créditos: Reprodução / SESA
O Paraná tem 597.621 doadores voluntários de medula óssea cadastrados no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). O número representa cerca de 10% dos 5,9 milhões de doadores registrados em todo o país e metade dos 1,2 milhão de cadastrados na região Sul.
Os dados foram divulgados no Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, celebrado neste sábado (19). A data é comemorada no terceiro sábado de setembro e foi criada pela Associação Mundial de Doadores de Medula Óssea (WMDA) para conscientizar sobre a importância da doação, homenagear os voluntários e estimular novos cadastros.
Somente em 2026, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), registrou 3.158 novos doadores. Os cadastros foram feitos em 21 das 25 unidades de coleta da rede, distribuídas pelas diferentes regiões do Estado.
A doação pode ser fundamental para pacientes com doenças do sangue, como leucemias. Em alguns casos, o transplante de medula óssea é a única possibilidade de cura.
O cadastro no Redome é feito pelo Hemepar. A presença de unidades de coleta em diferentes regiões do Paraná facilita o acesso de quem deseja se tornar doador.
Transplante não é usado apenas contra o câncer
Apesar de ser frequentemente associado ao tratamento de leucemias e outros tipos de câncer, o transplante de medula óssea também pode ser utilizado em pacientes com outras doenças.
Entre elas estão alguns tipos de anemia, doenças autoimunes e doenças genéticas raras.
Quando o paciente não encontra um doador compatível na família, o Redome permite a busca entre voluntários cadastrados em todo o país. O cruzamento não fica restrito ao Estado onde o paciente mora, o que amplia as possibilidades de encontrar uma pessoa compatível.
Como funciona a busca por um doador
O Redome é acionado quando um paciente precisa de transplante de medula óssea e não possui um doador aparentado compatível, como um irmão ou outro parente próximo.
A partir das informações genéticas registradas no banco de dados, é feito o cruzamento entre pacientes e doadores voluntários. Quando aparece uma possível compatibilidade, o doador é chamado para realizar exames e outras etapas necessárias antes da doação.
Para que a busca seja realizada, os dados do paciente também precisam ser inseridos no sistema. O procedimento é feito pelo médico responsável pelo tratamento, por meio de uma plataforma online destinada aos casos previstos nas normas do Ministério da Saúde.
Os doadores cadastrados podem ser convocados para realizar a doação até completarem 60 anos.
Paraná realizou 267 transplantes em 2026
O Paraná realizou 294 transplantes de medula óssea em 2025, considerando doações aparentadas, autólogas, quando o próprio paciente utiliza suas células, e não aparentadas.
De janeiro a agosto de 2026, foram realizados 267 transplantes no Estado.
“Em muitos casos, a doação de medula pode ser a única chance de sobreviver. É uma rede de solidariedade mesmo. Justamente por isso, cada novo cadastro e potencial doador pode realmente fazer a diferença para outra pessoa, e de qualquer lugar do Brasil, e até mesmo de fora”, afirmou a coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes, Juliana Ribeiro Giugni.
Quem pode se cadastrar
No Paraná, o cadastro como doador voluntário de medula óssea pode ser feito em uma unidade do Hemepar.
É necessário ter entre 18 e 35 anos, não apresentar doenças impeditivas, como HIV, hepatites B e C ou doenças autoimunes, e levar um documento oficial com foto.
No cadastro, são coletados 5 mililitros de sangue para a realização do teste de compatibilidade genética.
Quem já está inscrito no Redome também deve manter os dados pessoais atualizados. A atualização pode ser feita pelo site do registro ou pelo aplicativo, que também permite acessar a carteirinha e a declaração de doador.
“Quem já está registrado deve manter suas informações atualizadas para garantir que seja encontrado, e isso é possível pelo site do Redome, ou então pelo aplicativo exclusivo deles que também permite acessar sua carteirinha e declaração de doador sempre à mão”, afirmou a diretora do Hemepar, Vivian Raksa.
Doador e receptor podem se conhecer
Nos transplantes de medula óssea, existe a possibilidade de contato entre doador e receptor, desde que haja concordância das duas partes e sejam respeitados os prazos estabelecidos.
O processo é intermediado pelo Redome. Inicialmente, o doador pode receber informações sobre o estado de saúde do receptor seis meses após o transplante.
Depois de 18 meses, caso os dois concordem, pode ocorrer um encontro entre doador e receptor.
