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Paraná amplia liderança na produção de energia limpa com novas pequenas hidrelétricas

Sistemas importantes para a geração de energia no Estado, as hidrelétricas contribuem, também, com o aumento da cobertura vegetal em decorrência de compensações ambientais

Por Bruno Rodrigo

Paraná amplia liderança na produção de energia limpa com novas pequenas hidrelétricas Créditos: Daniel Castellano/SEDEST

Com a entrada em operação da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Lúcia Cherobim, no Rio Iguaçu, entre Porto Amazonas e Lapa, o Paraná fortalece sua posição como um dos principais polos brasileiros na geração de energia limpa. A usina, inaugurada na quinta-feira (3), é um dos resultados do programa Paraná Energia Sustentável, criado em 2021 para acelerar o licenciamento ambiental de empreendimentos hidrelétricos no Estado.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Paraná abriga atualmente 126 usinas desse tipo, com potência outorgada total de 15.668 megawatts (MW), atrás apenas do Pará, com 22.393 MW. Cerca de 80% desses empreendimentos foram viabilizados a partir do novo programa estadual, que simplificou e agilizou os trâmites ambientais por meio do Instituto Água e Terra (IAT).

Desde então, o IAT emitiu 102 licenças — Prévias, de Instalação, de Operação e simplificadas — para centrais hidrelétricas, além de 18 renovações. Das novas licenças, 42 resultaram em usinas já em funcionamento, gerando 312 MW, o suficiente para abastecer cerca de 124 mil residências.

“A PCH Lúcia Cherobim é um ótimo modelo da política sustentável em vigor no Paraná. Não interfere no fluxo do rio e não faz mal ao Salto do Caiacanga, que é uma beleza da Lapa e de Porto Amazonas. Ela canaliza a água, sem alterar a vazão e sem grande reservação, para gerar energia elétrica. É um exemplo de inteligência ambiental, de avanço energético e de sustentabilidade”, afirmou o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca.

O diretor-presidente do IAT, Everton Souza, destacou a segurança jurídica e ambiental promovida pelo novo modelo. “Criamos todos os caminhos para que o empreendedor pudesse ter segurança para receber a licença num prazo mais rápido, desde que cumprisse os requisitos técnicos-ambientais necessários.”

José Volnei Bisognin, diretor de Licenciamento e Outorga do IAT, explicou que a energia gerada é inserida no Sistema Interligado Nacional (SIN), atendendo também outras regiões. “Por causa da geografia do Estado e da grande quantidade de bacias hidrográficas, o Paraná possui um grande potencial hidrelétrico. Buscamos mitigar ao máximo qualquer tipo de prejuízo ao meio ambiente.”

As licenças emitidas abrangem diferentes tipos de usinas: 51 para Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs), 28 para Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), 3 para Usinas Hidrelétricas (UHEs), 11 para Microcentrais (MCHs) e 9 para Minigeradoras (MGHs).

Entre os municípios que mais receberam licenças estão Pinhão (9), Guarapuava (8), Clevelândia, Mangueirinha, Pitanga e Turvo (6 cada). Já o Rio Chopim lidera em emissões por corpo hídrico, com 11 licenças, seguido pelos rios Cavernoso, Marrecas e Jordão.

“A construção dessas usinas traz um impacto extremamente positivo para a cobertura vegetal da região, já que uma das obrigações é a reposição de vegetação nativa em média quatro vezes maior que a área suprimida. Além disso, há geração de empregos locais, aumento na arrecadação de impostos e benefícios para a ictiofauna”, acrescentou Bisognin.

A expansão da matriz hidrelétrica segue diretrizes federais. Os leilões de energia definem a quantidade a ser produzida em cada região, e os estados acompanham a execução dos projetos. “Nesse quesito, o Paraná se destaca, cumprindo sempre as metas estabelecidas pelo governo federal”, afirmou Jean Carlos Helferich, chefe da Divisão de Licenciamento Estratégico do IAT.

O próximo leilão, Energia Nova A-5, está marcado para 22 de agosto de 2025 e prevê novos projetos com operação a partir de 2030. O Paraná inscreveu 27 PCHs e 3 CGHs, com potência somada de 272 MW. As empresas interessadas têm até 3 de junho para apresentar as licenças ambientais exigidas.