Agronegócio pede por ações urgentes da Copel para enfrentar crise energética
Além das perdas econômicas, os produtores criticam a dificuldade de contato com a Copel. O atendimento automatizado e a demora nas respostas geram mais frustração
Por Bruno Rodrigo

As constantes quedas e oscilações de energia elétrica no meio rural têm causado prejuízos significativos a produtores em todo o Paraná. Diante da gravidade da situação, o Sistema Faep intensificou a cobrança por soluções imediatas à Companhia Paranaense de Energia (Copel), exigindo investimentos que garantam fornecimento estável e de qualidade no campo.
“A demanda por melhorias reflete a necessidade de alinhar o crescimento do setor agropecuário com condições básicas de funcionamento. Essa reivindicação é ainda mais pertinente em um momento em que o campo busca modernização e maior produtividade, exigindo energia de qualidade para sustentar tecnologias cada vez mais avançadas. A resolução desses problemas, portanto, não é apenas uma demanda dos agricultores, mas uma necessidade estratégica para o desenvolvimento econômico do Estado”, destacou o presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
No dia 28 de janeiro, representantes da Copel estiveram na sede da entidade para discutir as reclamações enviadas por sindicatos rurais. Em resposta, a companhia assumiu o compromisso de resolver os problemas de fornecimento no prazo de até seis meses.
A crise energética, no entanto, é agravada por uma queda no desempenho da empresa. Entre 2021 e 2023, a Copel caiu da 10ª para a 25ª posição no ranking da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o que coincidiu com a privatização da companhia, concluída em agosto de 2023.
Em fevereiro deste ano, a FAEP encaminhou um ofício à Copel, ao Governo do Estado e à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), compilando denúncias recebidas dos sindicatos e exigindo providências. Os dados reforçam a urgência: no último quadrimestre de 2023, foram registradas mais de 38 mil interrupções de energia — aumento de 23,6% em relação ao mesmo período de 2022. O tempo médio de atendimento também subiu, de 248 para 355 minutos.
A situação é agravada pelo aumento da tarifa rural, que subiu 76,4% nos últimos cinco anos, enquanto a tarifa residencial aumentou 45,1%. Apesar do fim dos subsídios e da equiparação das tarifas rural e urbana, a qualidade do serviço continua inferior. Em 2021, o produtor rural paranaense ficou, em média, 30 horas sem energia — mais de quatro vezes o tempo médio registrado nas cidades.
Além das perdas econômicas, os produtores criticam a dificuldade de contato com a Copel. O atendimento automatizado e a demora nas respostas geram ainda mais frustração.
Durante audiência pública na Alep, em março, representantes do setor produtivo e deputados estaduais denunciaram os impactos das quedas de energia. A Copel, no entanto, não compareceu. Na ocasião, foram aprovadas medidas como o envio de denúncias à Aneel, ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), além da solicitação de uma reunião com a Copel mediada pelo MP-PR.
No dia 18 de março, uma nova reunião convocada pelo Bloco da Agricultura Familiar, também na Alep, reuniu entidades do setor produtivo, incluindo a Faep. Novamente, a Copel não enviou representantes. Os relatos demonstraram o impacto direto no campo: 60 mil toneladas de tilápia foram perdidas em Cascavel, e 707 frangos morreram em apenas 10 minutos no município de Sulina por falta de energia. Em 2023, a Copel recebeu 28 mil pedidos de indenização por prejuízos relacionados ao fornecimento, mas apenas 7 mil foram atendidos.
Segundo o gerente do Departamento Técnico e Econômico da Faep, Jefrey Albers, a crise pode afetar toda a cadeia produtiva. “A redução da produção e da oferta de produtos pode levar a um aumento nos preços para o consumidor final, conforme a lei da oferta e da demanda”, alertou.
Como resultado, foi encaminhado à Copel um documento exigindo um plano emergencial, prazos máximos para restabelecimento da rede, compensações financeiras, revisão da estrutura operacional, criação de canais ágeis de atendimento e maior transparência sobre os problemas de infraestrutura. Também foi proposta a criação de uma comissão na Alep para fiscalizar o serviço da companhia.
Diante da ausência da empresa, deputados foram pessoalmente à sede da Copel para cobrar respostas. A companhia prometeu a limpeza de 150 quilômetros de linhas de transmissão na região Sudoeste e a produção de materiais orientativos sobre como acessar pedidos de indenização.
Apesar das promessas, o setor produtivo segue pressionando por ações concretas e imediatas. A crise energética no campo, além de comprometer a sustentabilidade das atividades rurais, ameaça a competitividade de um dos principais pilares econômicos do Paraná.