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PAID completa 20 anos em Cascavel com 14 mil pacientes atendidos em casa Créditos: Divulgação

PAID completa 20 anos em Cascavel com 14 mil pacientes atendidos em casa

Criado em 2005, programa já atendeu 14 mil pessoas e hoje conta com equipes multiprofissionais para oferecer dignidade e cuidados paliativos fora do ambiente hospitalar

O Programa de Assistência e Internação Domiciliar (PAID) completou 20 anos de atuação em Cascavel e segue como uma das principais estratégias da rede municipal de saúde para atender pacientes fora do ambiente hospitalar. Desde a criação, em 2005, o serviço já alcançou cerca de 14 mil pessoas, além de familiares, consolidando-se como alternativa ao atendimento convencional em leitos.

Somente em 2024, 926 pacientes passaram pelo programa. Atualmente, mais de 250 seguem em acompanhamento ativo, muitos deles em condições que, sem o atendimento domiciliar, exigiriam internação hospitalar.

O serviço começou com uma equipe reduzida, formada por um médico e profissionais de enfermagem, que realizavam visitas domiciliares a pacientes da Atenção Primária. Na época, cerca de 80 pessoas por mês eram atendidas, incluindo usuários que dependiam de oxigênio em casa. Com o aumento da demanda ao longo dos anos, a estrutura foi ampliada e hoje envolve equipes multiprofissionais.

De acordo com o secretário de Saúde, Ali Haidar, a maior parte dos pacientes atendidos está em cuidados paliativos, com diferentes perfis e idades. São casos que incluem doenças como câncer, demências, sequelas de AVC, traumas, além de situações que exigem ventilação mecânica ou oxigenoterapia.

“Em todos esses anos, nós já comprovamos que a permanência dessas pessoas junto à família, no conforto do lar, além de reduzir riscos de infecção hospitalar, traz mais dignidade ao tratamento. Esse é o sentido do PAID: oferecer carinho, cuidado e acolhimento dentro ou fora do ambiente hospitalar”, afirmou.

O programa também passou por melhorias recentes, com aquisição de novos equipamentos de fisioterapia e a inclusão de ações de apoio, como o trabalho voluntário de um capelão, além de atividades educativas voltadas a profissionais e cuidadores. A proposta é fortalecer o vínculo entre equipe, paciente e família.

Apesar dos avanços, o secretário aponta desafios, principalmente relacionados à rede de apoio dos pacientes.

“Com o envelhecimento da população, as mudanças nas estruturas familiares e as dificuldades sociais, nem sempre os familiares conseguem se dedicar integralmente ao cuidado do paciente quando a equipe não está presente. E isso exige ainda mais sensibilidade por parte dos profissionais que prestam esse atendimento”, disse.

Entre os casos acompanhados pelo programa, há relatos de recuperação que chamam atenção. Um paciente de 53 anos, atendido após um traumatismo craniano grave, chegou ao serviço dependente de traqueostomia e alimentação por sonda. Após meses de acompanhamento, conseguiu retomar a alimentação oral, retirar a traqueostomia, recuperar a lucidez e voltar a caminhar com auxílio.

Para o secretário, esse tipo de evolução evidencia o impacto do programa.

“Toda a tecnologia e estrutura que nós temos só fazem sentido quando estão aliadas à dedicação de quem está na linha de frente, cuidando de cada detalhe no dia a dia dos pacientes. São as nossas equipes que fazem a diferença. É o empenho dos nossos profissionais que faz esse programa ser uma referência em cuidado humanizado”, afirmou.

O acesso ao PAID ocorre por encaminhamentos feitos por hospitais, Unidades de Pronto Atendimento, Atenção Primária ou diretamente por familiares. Atualmente, o programa conta com quatro equipes multiprofissionais de atenção domiciliar, compostas por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas, além de uma equipe de apoio com assistente social, farmacêutico, nutricionista e fonoaudióloga.

As visitas incluem acompanhamento semanal, administração de medicamentos e atendimentos específicos, como troca de sondas, avaliação de dor, orientações a cuidadores e sessões de fisioterapia. No último ano, o serviço foi ampliado com a criação de uma nova equipe e integração ao Programa de Atendimento Residencial.

Entre os depoimentos de pacientes atendidos está o de Nelson Lucas dos Santos. “Agradeço muito ao pessoal do PAID porque eles já me salvaram duas vezes. Eu sei que muita gente não reconhece o que eles fazem, mas eu reconheço tudo o que eles fizeram por mim. Muito obrigado, que Deus abençoe a todos.”

 

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