APP-Sindicato denuncia possível esquema de viagens pagas à diretores por empresas do “Parceiro da Escola”
Entidade protocolou representação apontando suspeita de conflito de interesses, violação da moralidade administrativa e uso de “premiações” com viagens internacionais a diretores da rede estadual
Por Gazeta do Paraná
Créditos: APP Sindicato
A APP-Sindicato protocolou nesta terça-feira (23) uma representação urgente junto à Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) para cobrar explicações sobre um caso que a entidade classifica como possível violação dos princípios da administração pública. A denúncia envolve a suspeita de que diretores(as) de escolas estaduais vinculadas ao Programa Parceiro da Escola teriam recebido viagens internacionais, incluindo pacotes para jogos da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, custeados por empresas concessionárias privadas que atuam na gestão de unidades da rede estadual.
Segundo a entidade, os relatos indicam que os benefícios incluiriam passagens aéreas, hospedagem e ingressos para partidas da Copa, em uma espécie de premiação vinculada ao desempenho das unidades escolares sob gestão terceirizada. A APP-Sindicato afirma que a prática levanta dúvidas sobre conflito de interesses e possível afronta aos princípios da moralidade, impessoalidade e legalidade na administração pública.
“Se confirmado, é um verdadeiro tapa na cara de milhares de professores, funcionários e estudantes que enfrentam o sucateamento diário das nossas escolas”, afirmou a presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto. Ela classificou o episódio como “um ataque frontal à ética no serviço público” e criticou a utilização de recursos ligados à gestão privada da educação para premiar servidores.
A denúncia ganhou repercussão após a circulação de vídeos e publicações em redes sociais em que gestores escolares aparecem comemorando e agradecendo pelas viagens. Em publicação atribuída a uma das empresas envolvidas no programa, a ação teria sido apresentada como uma campanha de incentivo voltada a diretores que atingiram metas de desempenho, com o objetivo de premiá-los com a experiência de assistir a um jogo da Seleção Brasileira no exterior.
Para a APP-Sindicato, o ponto central da questão é a eventual vinculação dessas recompensas ao cumprimento de metas de gestão definidas por empresas privadas que atuam dentro da rede pública de ensino. A entidade sustenta que esse modelo poderia configurar um sistema de incentivos incompatível com o regime jurídico dos servidores estaduais, que veda o recebimento de vantagens ou benefícios de empresas com interesses diretos em contratos com o Estado.
“Um servidor público deve lealdade ao interesse da sociedade, não ao faturamento de uma concessionária privada”, afirmou Walkiria Mazeto. Segundo ela, a situação exige apuração rigorosa e transparência total sobre os critérios utilizados para a concessão das supostas premiações.
No ofício encaminhado à Seed, a APP-Sindicato solicita uma série de informações, entre elas a confirmação da existência do programa de incentivo, a identificação das empresas responsáveis pelo custeio das viagens, os critérios de seleção dos beneficiados, a lista nominal dos participantes e os valores envolvidos nos pacotes oferecidos. A entidade também questiona se houve autorização ou anuência formal da Secretaria da Educação para a realização da iniciativa.
Outro ponto levantado é a eventual existência de parecer jurídico ou administrativo que tenha avaliado a compatibilidade da prática com as normas que regem o serviço público estadual. A APP-Sindicato também pede esclarecimentos sobre possível afastamento funcional de servidores contemplados durante o período letivo para participação nas viagens.
A entidade afirma ainda que episódios semelhantes já teriam sido registrados em outros estados, como o Rio Grande do Sul, o que, segundo a APP, pode indicar um modelo de atuação replicado por empresas do setor educacional privado.
Além da cobrança de explicações, a APP-Sindicato solicita que os órgãos de controle e fiscalização sejam acionados para apurar os fatos e garantir a transparência na gestão dos recursos e das políticas educacionais do Paraná. A Secretaria de Estado da Educação ainda não se manifestou oficialmente sobre a representação.
