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Idoso de 75 anos perde mais de R$ 750 mil em golpe do falso advogado

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que trabalha para identificar os responsáveis e tentar rastrear o destino do dinheiro transferido

Por Gazeta do Paraná

Idoso de 75 anos perde mais de R$ 750 mil em golpe do falso advogado Créditos: Divulgação/PCPR

Um morador de 75 anos de Campina da Lagoa, no Oeste do Paraná, perdeu mais de R$ 750 mil após ser vítima do chamado golpe do falso advogado, modalidade criminosa que tem se espalhado pelo país e feito vítimas principalmente entre idosos. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que trabalha para identificar os responsáveis e tentar rastrear o destino do dinheiro transferido.

Segundo as investigações, os criminosos entraram em contato com a vítima informando que ela teria direito a receber uma elevada indenização decorrente de uma suposta ação judicial. Para tornar a fraude mais convincente, os golpistas utilizaram informações relacionadas a processos e se apresentaram como advogados e representantes de órgãos ligados ao sistema de Justiça.

A estratégia envolveu uma série de contatos realizados ao longo de vários dias. Durante as conversas, os criminosos orientavam detalhadamente o aposentado sobre os procedimentos que deveriam ser adotados para que o suposto valor fosse liberado. Em determinado momento, afirmaram que seria necessário realizar depósitos e transferências bancárias para concluir etapas burocráticas do processo.

De acordo com a delegada Muriel D'Ávila, os golpistas alegavam que as movimentações financeiras serviriam para validar os dados bancários da vítima junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que os valores seriam devolvidos posteriormente, assim que a indenização fosse liberada.

"Eles diziam que não haveria nenhum prejuízo financeiro, que os valores seriam devolvidos quando a indenização fosse liberada. Também afirmavam que havia sigilo decretado no processo e que a vítima não deveria comentar o assunto com ninguém", explicou a delegada.

Para aumentar ainda mais a credibilidade da fraude, os criminosos convenceram o aposentado de que o processo corria sob segredo de Justiça. Com isso, orientaram o homem a não compartilhar as informações com familiares, amigos ou terceiros, evitando que alguém pudesse alertá-lo sobre a possibilidade de golpe.

As investigações apontam ainda que os estelionatários chegaram a orientar a vítima sobre como agir caso fosse questionada por funcionários da instituição financeira durante as transferências. A recomendação era informar que os valores estavam relacionados a negociações comerciais ou operações de compra e venda.

Convencido de que participava de um procedimento legítimo para receber a suposta indenização, o aposentado realizou diversas transferências ao longo de vários dias. Somente depois de perceber que os valores prometidos nunca seriam depositados é que procurou ajuda e registrou a ocorrência policial.

Uma das linhas de investigação aponta que os criminosos utilizaram a foto do advogado verdadeiro da vítima em um perfil de WhatsApp para iniciar o contato. Em seguida, outra pessoa teria se apresentado como integrante do Ministério Público ou promotor de Justiça, reforçando a falsa narrativa e orientando as transferências bancárias.

O caso chama atenção pelo elevado prejuízo financeiro, considerado um dos maiores já registrados no Paraná nessa modalidade de estelionato. Até o momento, não há informações sobre prisões.

Diante da ocorrência, a Polícia Civil reforçou o alerta para que a população desconfie de contatos que envolvam pedidos de transferências bancárias, promessas de liberação de valores judiciais ou solicitações de sigilo. A orientação é sempre confirmar qualquer informação diretamente com o advogado responsável pelo processo ou junto ao fórum da comarca.

A polícia também destaca que nenhum advogado, juiz, promotor de Justiça ou órgão público solicita depósitos antecipados para liberar valores decorrentes de ações judiciais. Mensagens recebidas por aplicativos, especialmente quando envolvem urgência, segredo ou pedidos de dinheiro, devem ser tratadas com cautela.

As investigações continuam e a expectativa é que a análise das movimentações bancárias ajude a identificar os envolvidos e, eventualmente, recuperar parte dos recursos desviados.

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