A Organização Mundial da Saúde alertou nesta quinta-feira (7) para a possibilidade de novos casos de hantavírus relacionados ao surto registrado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que já deixou três mortos durante uma viagem pelo Oceano Atlântico. Apesar da preocupação, a entidade afirmou que o risco de uma disseminação ampla permanece baixo, desde que medidas sanitárias sejam mantidas.
O navio, que se tornou alvo de alerta sanitário internacional nos últimos dias, segue em direção a Tenerife, nas Ilhas Canárias, na Espanha. A previsão é que cerca de 150 passageiros e tripulantes comecem a ser evacuados a partir de segunda-feira.
Segundo a OMS, até o momento foram registrados oito casos ligados ao surto, incluindo três mortes. Cinco infecções já foram confirmadas laboratorialmente como hantavírus, enquanto outros três casos ainda são tratados como suspeitos.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou em Genebra que novos casos ainda podem surgir porque o período de incubação da cepa Andes, identificada nos pacientes infectados, pode chegar a seis semanas. Essa variante é considerada a única forma conhecida de hantavírus com registros de transmissão entre humanos.
O hantavírus não possui vacina nem tratamento específico. A doença costuma ser associada ao contato com urina, fezes ou secreções de roedores infectados e pode provocar síndrome respiratória aguda grave.
Apesar do alerta internacional, a OMS tenta evitar pânico em torno do caso. A epidemiologista Maria Van Kerkhove afirmou que o cenário está longe de representar uma nova pandemia.
“Não é o começo de uma pandemia”, declarou durante coletiva de imprensa realizada pela agência da ONU.
O diretor de operações de emergência da OMS, Abdi Rahman Mahamud, reforçou que o surto tende a permanecer controlado caso os protocolos sanitários sejam seguidos pelos países envolvidos.
As três mortes confirmadas ocorreram desde o início da viagem do cruzeiro, que partiu em 1º de abril de Ushuaia com destino a Cabo Verde. As vítimas são um casal holandês e uma mulher alemã.
Atualmente, passageiros seguem hospitalizados ou sob monitoramento médico em países como Países Baixos, Suíça, Alemanha e África do Sul.
As autoridades sanitárias ainda não conseguiram identificar exatamente onde ocorreu o primeiro contágio. Segundo a OMS, o primeiro passageiro que morreu já apresentava sintomas em 6 de abril, poucos dias após o embarque, indicando que a infecção provavelmente aconteceu antes da viagem.
O casal holandês havia passado por Chile, Uruguai e Argentina antes de embarcar no cruzeiro. O Ministério da Saúde chileno afirmou que o período da passagem pelo país não coincide com o tempo estimado de incubação do vírus.
Já as autoridades argentinas afirmaram que, até o momento, não há elementos suficientes para confirmar a origem do contágio. O hantavírus é considerado endêmico em algumas regiões da Argentina, especialmente na Cordilheira dos Andes, onde o país registra cerca de 60 casos anuais nos últimos anos.
Mesmo diante do alerta, a companhia Oceanwide Expeditions informou que não há passageiros apresentando sintomas ativos a bordo neste momento. Segundo relatos de viajantes franceses, a rotina no navio segue “praticamente normal”.
As autoridades de saúde também monitoram os cerca de 30 passageiros que desembarcaram durante uma parada na ilha de Santa Helena, território britânico no Atlântico Sul, entre os dias 22 e 24 de abril. O objetivo é rastrear possíveis contatos e identificar novos sintomas.
Em Singapura, dois passageiros idosos foram colocados em isolamento preventivo enquanto aguardam exames laboratoriais. Um francês que teve contato próximo com caso confirmado também permanece isolado após apresentar sintomas leves. Medidas semelhantes foram adotadas no Reino Unido e na Dinamarca.
A chegada do cruzeiro às Ilhas Canárias tem gerado preocupação entre moradores da região, ainda marcados pelos impactos da pandemia de Covid-19. O governo regional informou que o navio não deverá atracar diretamente no porto de Tenerife, permanecendo ancorado próximo à costa enquanto a evacuação dos passageiros será realizada por embarcações de apoio.