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Justiça de Israel prorroga prisão de ativista brasileiro acusado de ligação com terrorismo Créditos: Reprodução

Justiça de Israel prorroga prisão de ativista brasileiro acusado de ligação com terrorismo

Thiago Ávila foi detido em águas internacionais durante operação contra flotilha de ajuda a Gaza; defesa contesta acusações de terrorismo e relata maus-tratos em audiência de custódia

O Tribunal de Magistrados de Ashkelon, em Israel, decidiu estender por mais dois dias a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol Saif Abu Keshek, presos durante uma operação militar israelense. A informação foi confirmada neste domingo (3) pela família do brasileiro.

Os dois integravam uma flotilha com destino à Faixa de Gaza e foram interceptados por forças de Israel em águas internacionais, nas proximidades da Grécia. Segundo familiares, a nova audiência está marcada para terça-feira (5), ao meio-dia, no horário local.

De acordo com a defesa, foram atribuídas cinco acusações ao ativista brasileiro, incluindo suspeitas de associação com terrorismo e colaboração com o inimigo em contexto de guerra. Até o momento, não há denúncia formal apresentada.

Defesa contesta acusações

Os advogados de Thiago Ávila afirmam que não existem provas concretas que sustentem as acusações, classificadas como baseadas apenas em suspeitas. O brasileiro permanece detido para interrogatório, sem previsão de eventual formalização de denúncia.

A prisão ocorreu na última quarta-feira (29), durante uma ação do Exército israelense contra a chamada Global Sumud Flotilla, grupo que tenta levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Segundo a organização de direitos humanos Adalah, o ativista relatou ter sido mantido isolado e vendado após a detenção. Ele também teria informado aos advogados que sofreu agressões durante a abordagem.

A organização responsável pela flotilha afirma que mais de 20 embarcações e cerca de 175 ativistas foram detidos na operação.

Histórico de detenções

Esta é a terceira detenção de Ávila em pouco mais de um mês. Antes do episódio em Israel, ele havia sido preso no Panamá, em 25 de março, e na Argentina, no dia 31 do mesmo mês, quando acabou deportado para Barcelona, na Espanha.

Versões divergentes

O governo de Israel sustenta que os ativistas têm ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização sancionada pelos Estados Unidos por suposta atuação em favor do grupo Hamas. Segundo as autoridades israelenses, Saif Abu Keshek teria papel relevante na entidade, enquanto Thiago Ávila é investigado por possível envolvimento em atividades ilegais.

Já os organizadores da flotilha afirmam que a interceptação ocorreu a mais de mil quilômetros de Gaza, em águas internacionais, e classificam a ação como ilegal.

Reação internacional

Os governos do Brasil e da Espanha divulgaram nota conjunta criticando a detenção dos ativistas. No comunicado, os dois países afirmam que a ação pode violar o direito internacional e indicam a possibilidade de questionamento em instâncias judiciais internacionais.

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