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Petróleo Brent dispara 5% e supera US$ 114 com mísseis e tensão no Estreito de Ormuz Créditos: Reprodução/Redes sociais

Petróleo Brent dispara 5% e supera US$ 114 com mísseis e tensão no Estreito de Ormuz

Brent atinge US$ 114 por barril após relatos de conflitos entre Irã e EUA; bloqueio em corredor estratégico já afeta 20% do transporte global da commodity

O preço do petróleo voltou a subir com força nesta segunda-feira (4), impulsionado pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelas dificuldades nas negociações para um possível acordo de paz entre os dois países.

A cotação do Brent, referência internacional, chegou a avançar mais de 5% ao longo do dia, sendo negociada acima de US$ 114 por barril, o equivalente a cerca de R$ 570. Os contratos futuros atingiram picos intradiários após relatos divulgados por veículos iranianos indicarem que dois mísseis teriam atingido uma embarcação americana informação posteriormente negada pelo Comando Central dos Estados Unidos.

Segundo essas publicações, um navio de guerra norte-americano teria sido impedido de atravessar o Estreito de Ormuz após desconsiderar um alerta emitido pelo Irã. Ainda de acordo com a versão inicial, a embarcação teria sido atingida nas proximidades da costa de Jask.

O governo norte-americano, no entanto, contestou a informação. Em publicação na rede social X, o Comando Central afirmou que nenhuma embarcação foi atingida e que as forças dos Estados Unidos seguem operando para garantir a segurança da navegação na região.

Tensão no principal corredor do petróleo

O episódio intensificou a instabilidade no Estreito de Ormuz, considerado um dos pontos mais estratégicos do transporte global de petróleo. O Irã afirmou que poderá atacar forças americanas caso entrem na área e declarou ter ampliado sua zona de controle sobre a rota, elevando o nível de incerteza no fluxo marítimo.

Em resposta à escalada, o comando militar iraniano orientou navios comerciais e petroleiros a evitarem qualquer deslocamento sem coordenação com suas forças. O general Ali Abdollahi declarou que a segurança do estreito está sob controle iraniano e que a passagem de embarcações depende de autorização prévia. Ele também alertou que forças estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, poderão ser alvo de ataques caso se aproximem da região.

O estreito está parcialmente bloqueado desde 28 de fevereiro, início do atual conflito. No começo de abril, os Estados Unidos passaram a restringir a circulação de navios autorizados por Teerã, ampliando a disputa pelo controle da rota marítima.

Mercado reage à crise

No mercado financeiro, a reação foi imediata. O Brent, que iniciou o dia em queda a US$ 105,66 (cerca de R$ 528), avançou ao longo da madrugada e ultrapassou a marca de US$ 110 (aproximadamente R$ 550), impulsionado pelas ameaças iranianas.

Por volta das 11h (horário de Brasília), o petróleo WTI para junho registrava alta de 0,53%, cotado a US$ 102,17 (cerca de R$ 510), enquanto o Brent para julho subia 2,34%, a US$ 110,66 (em torno de R$ 553).

Antes da escalada do conflito, o Estreito de Ormuz já concentrava cerca de 20% de todo o transporte global de petróleo. Desde o fim de fevereiro, com os confrontos envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, o fluxo na região foi impactado, contribuindo para a alta dos preços da energia, risco de escassez de combustíveis e aumento das pressões inflacionárias em escala global.

Influência da OPEP+ e cenário de oferta

Além do contexto geopolítico, o mercado também reagiu à decisão da OPEP+ de elevar a produção em 188 mil barris por dia a partir de junho, marcando o terceiro aumento consecutivo.

Ainda assim, analistas apontam dúvidas sobre a efetividade da medida, uma vez que o conflito pode continuar limitando a oferta real de petróleo no mercado internacional.

Impactos acumulados da crise

Os efeitos da tensão já aparecem de forma clara na comparação entre os preços registrados no fim de fevereiro e os atuais:

Petróleo WTI: subiu de US$ 67,02 (R$ 335) para US$ 107,14 (R$ 535), alta de 59,86%
Petróleo Brent: avançou de US$ 72,48 (R$ 362) para US$ 114,22 (R$ 571), alta de 57,59%
Ibovespa: passou de 188.787 pontos para 187.318 pontos, recuo de 0,78%
PETR4: subiu de R$ 39,33 para R$ 49,08, alta de 24,79%
S&P 500: avançou de 6.878,88 pontos para 7.230,12 pontos, alta de 5,11%

O cenário mantém investidores em alerta e amplia as preocupações com os impactos sobre os preços dos combustíveis e a inflação global, em meio à instabilidade no Oriente Médio.

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