Setembro/2026

Nunes Marques avalia voltar a julgamentos do caso Master depois das eleições

Ministro havia se declarado impedido por presidir o TSE e considerar que o caso poderia produzir impacto eleitoral; possível retorno ocorre em meio à repercussão de mensagens de Vorcaro que mencionam pagamentos ligados a seu filho

Por Gazeta do Paraná

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Nunes Marques avalia voltar a julgamentos do caso Master depois das eleições Créditos: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), avalia rever, depois das eleições, a decisão de não participar de julgamentos relacionados ao caso Banco Master. A possibilidade surge uma semana depois de o magistrado se declarar impedido de votar em um processo envolvendo mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco. Segundo interlocutores ouvidos pela imprensa, o ministro considera que o afastamento pode ser circunstancial e relacionado ao período eleitoral.

Nunes Marques acumula atualmente a função de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao anunciar seu impedimento no STF, em 15 de setembro, justificou que o processo poderia ter reflexos sobre a disputa eleitoral e afirmou que, como presidente da Justiça Eleitoral, deveria preservar uma posição de equidistância partidária.

A informação mais recente, publicada nesta terça-feira (22), é de que esse entendimento poderá mudar após o encerramento das eleições. Interlocutores do ministro afirmam que ele tem sinalizado que os processos relacionados ao Master deverão avançar no próximo ano e que pretende analisar cada situação quando ela chegar a julgamento.

 

Impedimento ocorreu em julgamento sobre Moraes

A declaração de impedimento ocorreu durante o julgamento no STF sobre a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes a partir das mensagens trocadas com Vorcaro.

Na sessão, Nunes Marques afirmou que o TSE vinha mantendo posição de equidistância em relação às preferências partidárias e que o julgamento poderia interferir no ambiente eleitoral. “Na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento”, declarou.

A possibilidade de retorno depois das eleições chama atenção porque a discussão sobre o Banco Master não envolve apenas outros integrantes do Supremo. O próprio círculo familiar de Nunes Marques aparece nas mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro.

 

Mensagens mencionam R$ 500 mil mensais

Conversas entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, mencionam pagamentos de R$ 500 mil mensais e fazem referência à Consult Inteligência Tributária, empresa que havia contratado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro.

Em julho de 2025, Rennó encaminhou a Vorcaro uma planilha e perguntou se um pagamento de R$ 500 mil por mês deveria ser mantido. No mês seguinte, ao tratar de pagamentos considerados “essenciais”, o então diretor jurídico afirmou que faltava a Consult.

Isso não significa, porém, que Kevin Marques tenha recebido R$ 500 mil mensais.

A versão apresentada pela assessoria do advogado é de que ele recebeu R$ 281,6 mil da Consult, em 11 transferências, pela prestação de serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. Kevin afirma que nunca prestou serviços ao Banco Master nem recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro e sustenta que sua atuação para a consultoria não teve qualquer relação com o STF.

A Consult, por sua vez, recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. As movimentações constam de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

 

Caso já colocou Nunes Marques sob pressão

A Gazeta do Paraná vem acompanhando os desdobramentos das mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Além das referências aos pagamentos relacionados à Consult, outros diálogos divulgados nas últimas semanas mencionaram viagens, hospedagens e pessoas próximas ao ministro.

Nunes Marques também solicitou à Polícia Federal acesso à íntegra dos dados extraídos do celular de Vorcaro, material que já havia sido encaminhado a outros integrantes do Supremo.

O ministro tem negado irregularidades nas situações em que seu nome foi associado ao ex-controlador do Master. Da mesma forma, Kevin Marques nega qualquer relação profissional com Vorcaro ou com o banco.

 

Depois das urnas

A eventual volta de Nunes Marques aos processos não significa que o ministro já tenha decidido participar de todos os julgamentos relacionados ao Master. A informação disponível é de que ele avalia rever o afastamento depois do período eleitoral, e eventuais impedimentos ou suspeições poderão depender de cada processo concreto.

A questão também não deve produzir uma mudança imediata. Segundo interlocutores ouvidos pela imprensa, Nunes Marques considera que os julgamentos devem ficar para o próximo ano. As eleições estão marcadas para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.

O movimento, porém, acrescenta um novo capítulo ao caso: o mesmo ministro que decidiu ficar fora de um julgamento relacionado às mensagens de Vorcaro durante a campanha eleitoral poderá voltar a participar das discussões no Supremo quando estiver encerrada sua atuação à frente do TSE durante as eleições.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp