Justiça suspende pesquisa Quaest no Paraná e cobra explicações sobre nota fiscal de R$ 104 mil
Liminar atende pedido da coligação de Sandro Alex e impede, por enquanto, divulgação de levantamento previsto para quinta-feira; magistrada quer esclarecimentos sobre quem paga a pesquisa, documento fiscal emitido meses antes e tratamento de entrevistados que não informam renda
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Assessoria
A Justiça Eleitoral suspendeu provisoriamente a divulgação da nova pesquisa Quaest sobre a disputa pelo Governo do Paraná e pelas duas vagas do Estado no Senado. A decisão atende a um pedido da coligação A Mudança Continua, do candidato Sandro Alex (PSD), e impede, por enquanto, que os resultados do levantamento registrado sob o número PR-02802/2026 sejam divulgados.
A decisão foi assinada na noite desta terça-feira (22) pela juíza auxiliar do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) Cláudia Cristina Cristofani. A magistrada determinou que a Quaest apresente esclarecimentos em até 24 horas sobre três pontos que levantaram dúvidas no registro da pesquisa.
O primeiro deles diz respeito à identificação de quem efetivamente paga pelo levantamento. Segundo os elementos considerados na decisão, o campo destinado à informação do pagador aparece sem preenchimento no sistema de registro de pesquisas eleitorais e também na declaração da estatística responsável.
Ao mesmo tempo, uma nota fiscal anexada ao registro identifica a Sociedade Rádio Emissora Paranaense S.A., TV Paranaense, integrante da RPC, como tomadora dos serviços. O valor do documento é de R$ 104.319, exatamente o custo declarado da pesquisa.
Nota fiscal é de junho
Outro ponto que chamou a atenção da Justiça Eleitoral é a data do documento.
A Nota Fiscal nº 344 apresentada no registro teria sido emitida em 2 de junho de 2026, meses antes da realização desta rodada da Quaest, cujo período de entrevistas vai de 20 a 23 de setembro.
A magistrada quer que o instituto esclareça se essa nota fiscal corresponde exclusivamente à pesquisa PR-02802/2026 ou se está relacionada a outros levantamentos. A terceira questão envolve a metodologia.
A amostra utiliza critérios socioeconômicos, incluindo renda familiar. A Justiça quer saber como a Quaest trata os entrevistados que se recusam a informar a renda e de que maneira essas recusas interferem na composição das cotas previstas para o levantamento.
A pesquisa prevê 804 entrevistas, com margem de erro estimada em três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A divulgação estava programada para quinta-feira (24).
Suspensão é provisória
A decisão não significa que a Justiça tenha declarado a pesquisa fraudulenta, inválida ou definitivamente impedida de ser publicada. A medida é cautelar.
A Quaest terá oportunidade de apresentar as informações solicitadas e, a partir dos esclarecimentos, a magistrada poderá decidir se mantém ou derruba a suspensão.
A representação apresentada pela coligação de Sandro Alex pede, no mérito, que a divulgação seja definitivamente impedida. Essa questão ainda será analisada pela Justiça Eleitoral.
Segunda tentativa de barrar pesquisa
A decisão ocorre em meio a uma sequência de disputas judiciais envolvendo levantamentos eleitorais no Paraná.
Dias antes, a coligação de Sandro Alex já havia recorrido à Justiça contra uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas. Naquele caso, porém, a magistrada não concedeu a liminar pretendida.
Agora, diante dos questionamentos apresentados sobre o registro da Quaest, Cristofani entendeu que havia elementos suficientes para suspender cautelarmente a divulgação até que o instituto forneça as informações solicitadas.
A nova rodada é especialmente aguardada porque ocorre a menos de duas semanas do primeiro turno e pode mostrar se houve alteração no cenário medido pela própria Quaest em agosto.
Naquele levantamento, Sergio Moro (União Brasil) aparecia com 37% das intenções de voto para governador, seguido por Requião Filho (PDT), com 21%, e Sandro Alex, com 15%. A pesquisa anterior também ouviu 804 eleitores e tinha margem de erro de três pontos percentuais.
Por enquanto, porém, os novos números permanecem impedidos de chegar ao público.
A resposta da Quaest à Justiça será determinante para saber se a pesquisa poderá ser divulgada na quinta-feira conforme inicialmente previsto.
