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Número de multas no free flow passa de 559 mil e vira alvo de investigação no RS

Investigação busca esclarecer possíveis falhas no sistema de cobrança sem cancelas após volume elevado de autuações por não pagamento do pedágio dentro do prazo

Por Da Redação

Número de multas no free flow passa de 559 mil e vira alvo de investigação no RS Créditos: Gustavo Mansur/Secom

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) instaurou um inquérito civil para investigar a legalidade das multas aplicadas a motoristas que utilizam o sistema de pedagiamento free flow nas rodovias estaduais. A medida foi divulgada na última segunda-feira (9) e busca esclarecer possíveis falhas na aplicação das penalidades, além de avaliar alternativas para reduzir o que o órgão considera um número elevado de autuações.

A apuração é conduzida pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre e está sob responsabilidade do promotor Felipe Kreutz. O procedimento foi aberto após o governo estadual registrar mais de 559 mil multas até novembro de 2025 relacionadas ao não pagamento da tarifa dentro do prazo previsto no modelo de cobrança sem cancelas.

O sistema free flow permite que os veículos passem livremente por pórticos instalados nas rodovias, onde câmeras registram as placas para gerar automaticamente a cobrança da tarifa. Após a passagem, o motorista tem até 30 dias para realizar o pagamento por meio de site ou aplicativo da concessionária. Caso a tarifa não seja quitada nesse período, é aplicada multa de R$ 195,23, considerada infração grave de trânsito.

Segundo o Ministério Público, o elevado número de autuações pode indicar falhas operacionais ou dificuldades enfrentadas pelos usuários para efetuar o pagamento dentro do prazo. Antes da abertura do inquérito, o órgão realizou tentativas de mediação com o governo do Estado, mas não houve acordo sobre medidas imediatas para reduzir o volume de multas.

O promotor Felipe Kreutz afirma que a investigação não tem como objetivo questionar a existência do sistema free flow, mas sim verificar se há irregularidades ou problemas na forma como as penalidades vêm sendo aplicadas aos motoristas.

Durante as tratativas preliminares, o Ministério Público sugeriu duas medidas ao governo estadual para minimizar possíveis autuações indevidas enquanto a investigação estiver em andamento. A primeira proposta é garantir que os motoristas sejam avisados previamente de que passaram por um ponto de cobrança e de que possuem débito pendente antes da aplicação da multa.

A segunda sugestão é permitir que o pagamento da tarifa após o prazo de 30 dias seja aceito como forma de defesa administrativa, evitando a penalidade caso o usuário regularize a situação posteriormente.

Como parte das diligências iniciais do inquérito, o MPRS encaminhou ofícios ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER-RS) e à Procuradoria-Geral do Estado (PGE). O DAER terá prazo de dez dias úteis para detalhar o procedimento completo de autuação, incluindo como ocorre a constatação da infração, de que forma o órgão acessa os dados do sistema da concessionária e quais mecanismos garantem a integridade das informações registradas pelos pórticos.

Já a Procuradoria-Geral do Estado deverá informar o saldo atual da chamada Conta Multa, prevista no contrato de concessão, além dos valores repassados às concessionárias para compensar inadimplência em 2025 e a destinação desses recursos.

Paralelamente, também tramita na Promotoria de Defesa do Consumidor outro inquérito civil que analisa a clareza das informações e da publicidade fornecidas aos usuários sobre o funcionamento do sistema free flow.

Em nota, o governo do Rio Grande do Sul afirmou que a implantação do modelo e os procedimentos de cobrança seguem as normas do Código de Trânsito Brasileiro e do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O Executivo estadual também declarou que mantém diálogo com o Ministério Público para avaliar possíveis aprimoramentos no sistema de pedagiamento sem cancelas.

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