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Nikolas divulga documento falso atribuído à PF para negar crimes em conversas com Vorcaro Créditos: © Montagem Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados e Banco Master/Divulgação

Nikolas divulga documento falso atribuído à PF para negar crimes em conversas com Vorcaro

Documento que circulou nas redes tenta indicar ausência de crimes nas conversas entre o deputado e Daniel Vorcaro, mas Polícia Federal nega autoria e material apresenta sinais de falsificação.

Um suposto relatório da Polícia Federal divulgado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para sustentar que não haveria indícios de crimes em suas conversas com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, é falso.

A Polícia Federal informou ao site Aos Fatos que não produziu a imagem nem o texto apresentados como parte de um documento oficial da corporação.

O material foi divulgado pelo próprio deputado e ganhou ampla circulação nas redes sociais nesta quinta-feira (3). Publicações sobre o suposto relatório alcançaram pelo menos 500 mil visualizações no X.

Além de não ter sido reconhecido pela Polícia Federal, o documento apresenta sinais de que pode ter sido produzido ou alterado com o uso de inteligência artificial. Uma análise realizada por uma ferramenta da OpenAI identificou a presença de SynthID, tecnologia utilizada para marcar conteúdos gerados ou modificados por sistemas de IA.

Documento apresenta sinais de falsificação

O arquivo tenta reproduzir uma página de um documento da Polícia Federal relacionado à Operação Compliance Zero.

A montagem apresenta informações como data de extração, período de análise e referências à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado.

O trecho atribuído à PF seria uma análise de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. De acordo com o texto falso, as conversas com Nikolas Ferreira envolveriam manifestações públicas feitas pelo deputado sobre o Banco Master e o Fórum de Londres, além de um pedido para que Vorcaro fizesse uma intermediação com um ex-assessor.

A suposta conclusão do documento é de que não existiriam elementos suficientes para caracterizar crime ou justificar uma investigação específica contra o deputado.

A própria aparência do arquivo, porém, apresenta diferenças em relação a documentos oficiais da Polícia Federal.

O símbolo da corporação utilizado na imagem tem características diferentes do emblema oficial. Há alterações no desenho das fitas e até na representação do acento da palavra “Polícia”.

O texto também apresenta problemas de organização. A numeração pula do item 7 diretamente para o 7.3, sem apresentar os tópicos intermediários.

Outro indício apontado são erros de português, como a expressão “contato salvado”.

As datas apresentadas no documento também chamam atenção. O arquivo indica 18 de novembro de 2025 como data de produção e extração dos dados. Naquele período, Daniel Vorcaro havia sido preso pela Polícia Federal.

A montagem também utiliza elementos pouco comuns em documentos oficiais da corporação, como emojis e a expressão “Relatório de Análise de Dados”.

Documento apresenta marca de inteligência artificial

A análise feita pelo Aos Fatos identificou no arquivo uma marca digital SynthID.

A tecnologia foi desenvolvida para ajudar a identificar conteúdos criados ou modificados com ferramentas de inteligência artificial.

A OpenAI confirmou à reportagem que a presença do SynthID indica que o documento passou por algum processo de geração ou edição utilizando recursos de IA.

O sistema, por outro lado, não identificou credenciais confiáveis de conteúdo C2PA da OpenAI.

A presença do SynthID, somada às demais inconsistências encontradas na imagem e à confirmação da Polícia Federal de que não produziu o material, reforça a conclusão de que o arquivo não é um relatório oficial da corporação.

Documento circulou após divulgação de conversas

A publicação do suposto relatório ocorreu depois de reportagens do ICL Notícias revelarem conversas e áudios entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro.

Em uma das mensagens, enviada em março de 2025, o deputado pede ajuda ao banqueiro para liberar “um ativo de minério”.

Em outro diálogo, Vorcaro afirma que “bancou todos os voos” de Nikolas.

O conteúdo das conversas passou a ser analisado no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.

A divulgação de um documento público falso pode gerar responsabilização criminal. O Código Penal prevê pena de dois a seis anos de reclusão, além de multa, para quem falsifica, no todo ou em parte, documento público.

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