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MP-SP denuncia Deolane Bezerra e Marcola por lavagem de dinheiro; veja
Investigação do Gaeco aponta uso de transportadora e de dezenas de empresas abertas pela influenciadora para movimentar mais de R$ 20 milhões da facção criminosa
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou denúncia contra seis pessoas suspeitas de integrar um esquema de organização criminosa e lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os denunciados estão a influenciadora digital Deolane Bezerra e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como principal líder da facção criminosa.
A denúncia é resultado da Operação Vértix, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga o uso de uma empresa de transporte para ocultar e movimentar recursos atribuídos ao PCC.
Além de Deolane e Marcola, também foram denunciados Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão do líder da facção; Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, filhos de Alejandro; e Everton de Souza, apontado como operador financeiro do grupo. Durante as investigações, Deolane e Everton chegaram a ser presos.
Segundo o Ministério Público, as apurações tiveram início após a apreensão de bilhetes em uma penitenciária de Presidente Venceslau, no interior paulista, em 2019. Os documentos continham supostas orientações atribuídas ao PCC e faziam referência a uma "mulher da transportadora", informação que levou os investigadores a identificar uma empresa que, de acordo com a acusação, teria sido criada para movimentar recursos da organização criminosa.
As investigações apontam que a transportadora, registrada em nome de um casal, teria movimentado mais de R$ 20 milhões em valores considerados incompatíveis com a atividade econômica declarada. Conforme a denúncia, Marcola seria responsável pelas decisões estratégicas do grupo mesmo estando preso em presídio federal de segurança máxima, enquanto Alejandro teria administrado as operações da empresa.
O Ministério Público sustenta ainda que Paloma Sanches atuava como intermediária entre os integrantes do esquema e auxiliava na distribuição dos recursos. Ela é considerada foragida desde maio, após não ser localizada durante uma tentativa de cumprimento de mandado na Espanha.
De acordo com o promotor Lincoln Gakiya, Deolane Bezerra mantinha proximidade com familiares de Marcola e teria disponibilizado contas bancárias utilizadas para movimentações financeiras investigadas. Os promotores também apontam que a influenciadora abriu 35 empresas em um mesmo endereço residencial. Para a acusação, as empresas teriam sido utilizadas para dificultar o rastreamento dos valores.
A denúncia será analisada pela Justiça, que decidirá se aceita ou não a abertura de ação penal contra os investigados.
Defesas contestam acusações
Em nota, a defesa de Deolane Bezerra afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo da denúncia e negou qualquer envolvimento da influenciadora com organização criminosa ou prática de crimes.
Os advogados de Marcola e dos demais familiares denunciados também contestaram as acusações. A defesa argumenta que Marcola e Alejandro estão custodiados em presídios federais desde 2019, sob rígidas restrições de comunicação, o que, segundo os advogados, inviabilizaria a participação nos fatos investigados.
Os defensores afirmam ainda que a relação familiar entre os denunciados não pode ser interpretada como prova de participação em atividades criminosas e sustentam que as movimentações financeiras apontadas pelo Ministério Público serão esclarecidas durante o processo.
Caso a denúncia seja aceita, os investigados passarão à condição de réus e responderão formalmente pelos crimes atribuídos pelo Ministério Público.
