MP denuncia secretária de Saúde por suspeita de fraudar licitações para favorecer empresa da irmã
Secretária afastada de Rancho Alegre D'Oeste, irmã, cunhado e um médico-veterinário são acusados de associação criminosa, fraude em licitações, corrupção e falsidade ideológica; defesa nega irregularidades
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O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou a secretária municipal de Saúde de Rancho Alegre D'Oeste, Dayana Zanuto, por suspeita de integrar um esquema de fraude em licitações que teria beneficiado a empresa da própria irmã. A denúncia foi apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça de Goioerê no âmbito da Operação Cruella.
Além da secretária, também foram denunciados uma empresária, irmã de Dayana, o cunhado dela e um médico-veterinário. Os quatro responderão, em tese, pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, frustração do caráter competitivo de licitação, fraude na execução contratual e corrupção ativa e passiva.
As investigações concentram-se principalmente no Pregão Eletrônico nº 014/2025, destinado à contratação de serviços médico-veterinários, castração, fornecimento e aplicação de vacinas e distribuição de ração para o Departamento Municipal de Saúde. Também é alvo da denúncia o Pregão Eletrônico nº 031/2025, referente à compra de materiais de limpeza.
Segundo o MPPR, um dos investigados era sócio da empresa vencedora da licitação, mas deixou formalmente o quadro societário um dia antes da publicação do edital. De acordo com a Promotoria, a alteração teria ocorrido apenas para contornar a proibição prevista na Lei de Licitações, já que ele é cunhado da secretária municipal.
A denúncia sustenta que a mudança foi apenas formal e que a empresa continuou ligada à família da secretária, uma vez que sua irmã permaneceu vinculada ao empreendimento. O Ministério Público afirma ainda que houve um acordo prévio para que os serviços contratados pelo município fossem executados por uma clínica pertencente aos familiares da gestora.
As investigações também apontam indícios de direcionamento da licitação, fraude na execução contratual, emissão de notas fiscais incompatíveis com os serviços efetivamente prestados e movimentações financeiras que indicariam o repasse de parte dos recursos públicos pagos às empresas investigadas para a secretária de Saúde, por meio de contas bancárias utilizadas pelos envolvidos e por terceiros.
Em abril deste ano, durante a Operação Cruella, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Prefeitura, na Secretaria de Saúde e nos endereços dos investigados. Na ocasião, celulares, computadores e documentos foram recolhidos, e a Justiça determinou o afastamento de Dayana Zanuto do cargo, medida que permanece em vigor.
Em nota, a defesa dos denunciados afirmou que a denúncia representa apenas o início da ação penal, ressaltando que não há condenação e que os acusados negam qualquer prática ilícita. Os advogados sustentam que a legalidade das condutas será demonstrada ao longo do processo e pedem que seja respeitada a presunção de inocência dos envolvidos.
O processo tramita sob sigilo de Justiça, registrado sob o número 0000222-78.2026.8.16.0084.
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