Copel Horta

Motorista e dono de caminhão que matou professora e filho na BR-376 vão a júri popular

Decisão da Justiça de Ponta Grossa determina que motorista e proprietário do caminhão respondam por homicídios e lesões corporais no acidente que matou a professora Vanessa Kubaski Maciel e o filho Pedro Henrique

Motorista e dono de caminhão que matou professora e filho na BR-376 vão a júri popular Créditos: PRF/Divulgação

A Justiça determinou que o motorista Tiago Arthur Bueno e o empresário Edelar Julio Posser, proprietário do caminhão envolvido no acidente que matou a professora Vanessa Kubaski Maciel e seu filho, Pedro Henrique Maciel Jorge, sejam julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão foi proferida pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Ponta Grossa.

Na sentença de pronúncia, os dois réus foram enquadrados pelos crimes de homicídio em relação à morte de Vanessa Kubaski, homicídio doloso qualificado pela morte da criança Pedro Henrique Maciel Jorge e lesões corporais contra outras duas pessoas que estavam no veículo atingido.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o acidente ocorreu na noite de 6 de abril de 2023, no quilômetro 504,2 da BR-376, em Ponta Grossa. Tiago Arthur Bueno conduzia um caminhão Scania pertencente à empresa Rodoposser Transportes Rodoviários Ltda., de responsabilidade de Edelar Julio Posser, quando colidiu contra um GM Onix ocupado pelas vítimas.

Vanessa morreu em decorrência de politraumatismo, enquanto Pedro Henrique não resistiu aos ferimentos provocados por traumatismo cranioencefálico.

Conforme a investigação, o caminhão seguia pela faixa da direita da rodovia e, ao encontrar um congestionamento causado por outro acidente, o motorista desviou para a faixa da esquerda, atingindo o automóvel onde estavam as vítimas.

A denúncia aponta que o acidente aconteceu durante a noite, sob chuva, e que o caminhão, carregado com 38 toneladas de soja, trafegava em velocidade incompatível com as condições da pista.

As apurações também indicaram que o veículo apresentava problemas mecânicos considerados determinantes para o acidente. Segundo o Ministério Público, os sistemas de freios do cavalo-trator e dos semirreboques estavam ineficientes, os pneus encontravam-se desgastados e o cronotacógrafo estava inoperante. De acordo com a acusação, tanto o motorista quanto o proprietário da empresa tinham conhecimento dessas condições.

Os advogados Fernando Madureira e Gustavo Madureira, que representam os familiares das vítimas, afirmaram que a morte de Vanessa e Pedro deixou consequências irreparáveis para a família. Em nota, destacaram que a decisão de levar os acusados ao Tribunal do Júri representa um importante avanço na busca por justiça e ajuda a reduzir a sensação de impunidade.

Fernando Madureira informou ainda que Tiago Arthur Bueno está preso por outro processo. Segundo o advogado, o motorista foi detido em 5 de novembro de 2025, na Rodovia SP-270, em Cândido Mota (SP), transportando 1.853,36 quilos de maconha. Pelo caso, ele foi condenado a cinco anos e dez meses de prisão por tráfico de drogas. A decisão, no entanto, ainda é passível de recurso.

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