Mário Frias cita perícia e nega irregularidades no financiamento de Dark Horse
Deputado afirma que suspeitas foram tratadas como conclusões e cita perícia particular que aponta rastreabilidade dos recursos usados na produção
Créditos: Roberto Castro/ Mtur
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) voltou a se manifestar nesta segunda-feira (14) sobre a investigação que apura o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Candidato à reeleição, Frias afirmou que as suspeitas levantadas na investigação foram apresentadas publicamente como se fossem conclusões. A manifestação ocorreu após a divulgação de uma perícia particular contratada pela produtora do filme, que aponta que os recursos utilizados na produção seriam rastreáveis.
Frias citou uma reportagem da Gazeta do Povo sobre o resultado da perícia.
"Durante meses, pretendíamos transformar suspeitas em sentenças e insinuações em verdades. Chegaram ao absurdo de associar meu nome ao PCC", escreveu o deputado.
No sábado (12), Frias já havia se manifestado sobre o assunto. Na ocasião, afirmou que todos os recursos utilizados no filme tiveram origem e aplicação legais.
Busca e apreensão
A Polícia Federal realizou na última quinta-feira (10) uma operação de busca e apreensão em 49 endereços para recolher documentos e outros elementos relacionados à investigação.
Após a operação, Frias afirmou que sua família foi exposta a armas de fogo durante o cumprimento das medidas. O deputado não apresentou detalhes sobre o episódio.
"Entraram na minha casa. Invadiram o lugar que deveria ser o último refúgio de qualquer homem: o seu lar. Apontaram armas para a minha sogra, uma senhora de idade, e para a minha filha, uma adolescente de apenas 15 anos", escreveu Frias em uma publicação no X.
Procurada, a Polícia Federal informou que não comenta operações e investigações em andamento.
O que está sendo investigado
Os ministros André Mendonça e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retiraram no domingo (13) o sigilo de investigações relacionadas ao financiamento do filme.
As apurações também envolvem contratos com a Prefeitura de São Paulo e uma possível relação entre pessoas investigadas e integrantes do crime organizado.
Em uma das decisões, Dino mencionou a existência de um possível "sofisticado esquema de alocação e desvio de recursos públicos", além de possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações envolvem cerca de 30 pessoas, entre elas a empresária Karina Ferreira da Gama, produtora executiva de Dark Horse.
Karina contratou uma perícia particular para analisar a origem e a movimentação dos recursos utilizados na produção. O documento, elaborado pelo perito Anísio Castelo Branco, afirma que não foram identificadas entradas de dinheiro provenientes de recursos públicos, repasses governamentais ou financiamentos.
A perícia também afirma que não foram localizados valores recebidos como patrocínio, públicos ou privados, incluindo recursos relacionados a incentivos fiscais da Lei Rouanet.
O resultado da perícia é utilizado pela defesa de Karina para contestar as suspeitas levantadas na investigação.
Emendas parlamentares
Mário Frias, que também participou do roteiro do filme, é investigado pelo envio de recursos de suas emendas parlamentares para a Go Up, organização não governamental ligada aos produtores da obra.
Os deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) também são alvo de suspeitas relacionadas ao financiamento. Os três negam irregularidades.
Outra investigação no Supremo trata de possíveis irregularidades envolvendo o financiamento de Dark Horse e tem como investigado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também é candidato à Presidência da República nas eleições de outubro.
Nesse caso, Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele nega as acusações.
