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“Renato maconheiro”: vídeo viral confronta punições ao deputado com casos de outros parlamentares da Alep

Gravação recupera processos no Conselho de Ética, o caso Ademar Traiano e embates com o governo Ratinho Junior; Gazeta checou os principais episódios e separou fatos documentados de acusações sem comprovação

Por Gazeta do Paraná

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“Renato maconheiro”: vídeo viral confronta punições ao deputado com casos de outros parlamentares da Alep Créditos: Reprodução

Um vídeo que viralizou nas redes sociais colocou uma questão incômoda sobre a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) no centro do debate: Renato Freitas (PT) recebeu o mesmo tratamento dispensado a outros deputados que estiveram sob questionamento no Conselho de Ética?

O autor começa por uma pergunta aparentemente elementar. “E o que um deputado faz?”, questiona. Ele mesmo responde: “Um deputado faz, modifica leis e fiscaliza o Executivo e o Judiciário”. É dessa definição que nasce a provocação que ocupa os mais de 16 minutos seguintes.

A partir daí, Renato praticamente perde o nome. Vira “o maconheiro”. Quando fiscaliza, é “o maconheiro”. Quando denuncia, novamente “o maconheiro”. Quando entra em confronto com outros deputados, a expressão volta. O exagero é proposital e, conforme a gravação avança, transforma aquilo que inicialmente soa como ataque em instrumento de defesa do parlamentar.

O responsável pelo vídeo mantém uma página nas redes sociais e seus conteúdos vêm alcançando grande circulação, embora sua identidade não esteja claramente indicada no material. A gravação percorre episódios que marcaram o mandato de Renato desde 2023 e mira não apenas seus adversários dentro da Assembleia, mas também o governo Ratinho Junior, integrantes do Judiciário e setores da segurança pública.

 

“Ele foi trabalhar”

A primeira imagem construída pelo narrador é a de Renato chegando à Assembleia depois de eleito em 2022.

“Quando ele assumiu a cadeira de deputado estadual, ele foi trabalhar, né?”, diz. Em seguida, começa a repetir deliberadamente a referência à maconha enquanto enumera situações nas quais Freitas teria exercido a fiscalização do Executivo.

Um dos primeiros episódios mencionados envolve as contas do governo. Na versão apresentada no vídeo, Renato teria questionado a aprovação das contas de Ratinho Junior sem análise suficiente.

“Deputado não tem que fiscalizar as contas? Como é que ele vai aprovar as contas do governador Ratinho Júnior sem nem olhar? Ele não pode aprovar sem olhar”, dispara.

Na sequência, o narrador afirma que Freitas apresentou ofícios questionando o procedimento e que as iniciativas foram engavetadas. Depois, passa às renúncias fiscais concedidas pelo Estado e diz que o parlamentar procurou o Tribunal de Contas para cobrar informações sobre os beneficiados e as justificativas para as isenções.

“Não pode conceder isenções fiscais sem dizer para quem e principalmente sem justificar o motivo”, afirma ao reconstruir a cobrança atribuída a Renato.

 

“Arrumou encrenca”

A segurança pública ocupa outro trecho importante da gravação.

O narrador recupera denúncias feitas por Freitas envolvendo a atuação policial e fala de vídeos apresentados pelo deputado para questionar casos de violência.

“A polícia não pode sair matando gente, não pode sair torturando também”, afirma.

É nesse contexto que ele introduz a defesa das câmeras corporais. Segundo o narrador, Renato defendeu que policiais utilizassem os equipamentos durante o serviço, inclusive “para proteger os policiais que trabalharam bem”.

 

A conclusão vem imediatamente depois.

“Pronto, arrumou encrenca com a bancada da segurança ali na Assembleia.”

O vídeo cita especificamente o deputado Delegado Tito Barichello ao reconstruir os confrontos de Renato com parlamentares ligados à segurança pública e afirma que o petista acabou levado ao Conselho de Ética.

“Já teve que ficar se defendendo no Conselho de Ética pra não perder o mandato”, diz.

 

“Tome Conselho de Ética”

Esse é um dos principais fios condutores do vídeo. Depois de citar a segurança pública, o narrador enumera outros embates protagonizados por Renato. Lembra a oposição à privatização da Copel, manifestações ao lado de professores, críticas à terceirização da gestão de escolas estaduais e um protesto realizado em supermercado.

Segundo ele, cada novo confronto aumentava o desgaste dentro da Assembleia.

“E tome Conselho de Ética, tome Conselho de Ética, tome Conselho de Ética. Um atrás do outro, direto”, afirma.

Renato efetivamente acumulou procedimentos no Conselho de Ética ao longo do mandato. Em 2026, dois deles resultaram em punições de 30 dias de suspensão de prerrogativas regimentais. Entre os episódios que deram origem aos processos estão uma manifestação realizada em um supermercado de Curitiba e uma confusão ocorrida durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça.

É justamente nesse momento que o vídeo deixa de olhar apenas para Renato e começa a confrontar o tratamento dado a ele com casos envolvendo outros integrantes da Assembleia.


Traiano entra na história

O principal contraponto utilizado pelo narrador é o ex-presidente da Alep Ademar Traiano.

O vídeo recupera o acordo de não persecução penal firmado por Traiano e a representação apresentada por Renato Freitas ao Conselho de Ética.

Ao narrar o episódio, o autor não economiza palavras. “O presidente da Assembleia, Adhemar Traiano, foi pego roubando”, afirma. Depois, refere-se ao acordo e diz que Traiano teria devolvido dinheiro.

Renato efetivamente apresentou representação contra Traiano após a revelação do acordo de não persecução penal. O próprio Freitas também respondeu a procedimento depois de chamar o então presidente da Assembleia de “corrupto”.

Para o autor do vídeo, é justamente a diferença entre esses casos que merece atenção. Ele afirma que a representação feita por Renato não recebeu o mesmo tratamento dispensado às denúncias apresentadas contra o próprio deputado.

“Entrou com uma representação junto ao Conselho de Ética contra o presidente da Assembleia”, relata. Logo depois, ironiza a reação que atribui ao colegiado: “Tá bom, cala a boca, maconheiro”.

É nesse contraste que o vídeo constrói sua acusação política: o deputado que repetidamente foi parar no Conselho de Ética também acionou o mesmo órgão contra figuras poderosas da Casa.

 

A briga na CCJ

Outro episódio recuperado ocorre na Comissão de Constituição e Justiça.

O narrador conta que Renato se posicionava contra a criação de novos cargos comissionados quando houve um confronto envolvendo um assessor ligado ao deputado Márcio Pacheco.

“Esses cargos aqui pra arrumar pra juiz aí […] não precisamos mais disso daí”, reproduz o autor ao reconstruir o posicionamento de Freitas.

Na sequência, afirma: “Os cargos já chegaram aprovados, cara”.

Segundo sua versão, um assessor que estava atrás de Márcio Pacheco começou a fazer gestos enquanto Renato discursava.

“Pronto, o maconheiro ficou brabo, desceu do tamanco ali e brigou com os caras. Mais um Conselho de Ética”, resume.

A confusão na CCJ acabaria se tornando um dos episódios analisados no processo disciplinar contra Freitas.

 

“Corrupto e assassino”

O ponto de maior tensão do vídeo aparece quando o narrador recupera uma fala de Renato contra Ratinho Junior.

“O governador Ratinho Júnior é corrupto e assassino e eu posso provar”, diz, reproduzindo a declaração atribuída ao parlamentar na tribuna.

A partir daí, o autor volta sua artilharia aos demais deputados. "Por que que não deixaram ele provar?”, questiona.

Na narrativa apresentada no vídeo, parlamentares teriam interrompido Renato e impedido que ele avançasse nas acusações.

“Não deixaram o cara falar”, afirma. Em seguida, relaciona o episódio às punições enfrentadas posteriormente pelo deputado: “Puniram ele com 30 dias de suspensão. Depois de 30 dias de suspensão, deram mais 30 dias de suspensão”.

E conclui com a tese que sustenta essa parte da gravação: “Os deputados da Assembleia, principalmente os corruptos, não deixaram ele provar que o Ratinho Júnior é corrupto e assassino”.

As suspensões de Renato decorreram de processos relacionados a episódios específicos analisados pelo Conselho de Ética. A associação entre essas punições e a declaração contra o governador é feita pelo autor do vídeo.

 

“13 deputados”

É quando amplia a mira para toda a Assembleia que o narrador faz uma das acusações mais pesadas da gravação.

“Não, cara, aqui tem que falar sério”, anuncia.

Em seguida, afirma: “Nessa gestão, nesses últimos quatro anos, 13 deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná foram pegos roubando”.

O autor repete a acusação em termos ainda mais duros: “Nessa gestão dos 54 deputados, 13 são ladrões e foram pegos roubando”.

Na sequência, ataca também o Judiciário e fala na existência de acordos envolvendo magistrados e parlamentares. “Então, os juízes do Estado têm acordo […] e esquema com os 13 deputados”, afirma.

O vídeo não apresenta a relação dos 13 parlamentares mencionados pelo narrador. A afirmação, portanto, é dele e aparece na gravação sem a apresentação individual dos casos aos quais estaria se referindo.

“A maioria dos deputados na Assembleia tem esquema”

O discurso avança ainda sobre a criação de cargos comissionados.

Ao recuperar a discussão na CCJ, o autor acusa diretamente integrantes da Casa de manterem relações de favorecimento.

“A maioria dos deputados na Assembleia tem esquema”, afirma.

Na sequência, diz que, quando integrantes do Judiciário solicitam cargos, “os deputados já dão na hora, eles nem perguntam, nem questionam”.

É nesse ambiente que ele insere Renato como contraponto: o parlamentar que, segundo sua narrativa, questionava a criação dos cargos e, por isso, acumulava novos conflitos dentro da Assembleia.

 

Por que “maconheiro”?

Depois de mais de 12 minutos utilizando a palavra como uma espécie de apelido, o narrador finalmente explica a provocação. “O nome desse cara é deputado Renato Freitas”, revela.

E pergunta: “Eu estou me referindo a ele como maconheiro, por quê? Porque maconheiro é quem consome maconha”.

Então o sentido de toda a repetição se inverte. "É porque ele é maconheiro, porque ele fuma maconha?”, questiona, contrapondo o rótulo à trajetória política que acabara de narrar.

Depois volta sua crítica para quem reduz Renato a essa expressão.

“Qual é o adjetivo para chamar um estúpido que não enxerga a história e a trajetória desse homem honrado, que tem uma luta e que tem um objetivo e um ideal e uma filosofia de vida?”, pergunta.

A palavra que parecia ser o ataque é, na realidade, a ferramenta escolhida pelo autor para atacar quem usa esse mesmo rótulo contra o deputado.

 

“Não há bens a declarar”

Nos minutos finais, o vídeo entra diretamente na eleição de 2026.

O autor mostra o registro de candidatura de Renato Freitas a deputado federal e chama a atenção para o patrimônio informado pelo candidato.

“Bens do candidato, não há bens a declarar. Olha isso aqui. Bens do candidato, não há bens a declarar”, repete.

Então lança um desafio aos espectadores. “Eu desafio você […] a achar um entre os deputados estaduais que completaram o seu mandato, um outro deputado estadual que não tenha bem a declarar.”

Poucos segundos depois insiste: “Ache um!”.

O narrador oscila na quantidade de deputados estaduais existentes no Brasil enquanto apresenta o desafio, mas mantém a mesma tese: considera a ausência de patrimônio declarado mais um elemento para sustentar sua defesa de Renato.


“Vai ser presidente do Brasil”

É nos segundos finais que a posição política do autor fica ainda mais explícita.

“Por que que esse cara não tem bem a declarar?”, pergunta.

Ele mesmo responde. "Porque esse cara tem filosofia. Porque esse cara tem um ideal. Porque esse cara tem um objetivo.”

E vai além: “Vai ser presidente do Brasil um dia”. “Precisamos desse cara na Presidência do Brasil, ainda em um futuro próximo”, conclui.

O vídeo termina depois de transformar uma expressão usada para diminuir Renato Freitas no fio condutor de uma defesa de seu mandato. Ao longo de mais de 16 minutos, o autor mistura episódios da trajetória do deputado, acusações contra adversários, críticas ao Conselho de Ética e ataques ao governo, ao Judiciário e a integrantes da Assembleia.

No centro de tudo, porém, deixa uma provocação que ultrapassa a figura de Renato: enquanto enumera as punições sofridas pelo parlamentar, coloca ao lado delas episódios envolvendo outros deputados e questiona por que os desfechos foram diferentes.

É essa comparação, mais do que a palavra repetida dezenas de vezes durante a gravação, que coloca a própria Assembleia Legislativa do Paraná no centro do vídeo.


Veja o vídeo na íntegra:

 

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp