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Lucro bilionário e apagões no campo: entidades cobram explicações da Copel por prejuízos no Paraná

Quedas recorrentes de energia afetam principalmente propriedades rurais, provocam morte de animais, perda de produção e danos a equipamentos em diversas regiões do Estado

Por Eliane Alexandrino

Lucro bilionário e apagões no campo: entidades cobram explicações da Copel por prejuízos no Paraná Créditos: Divulgação

Quedas recorrentes no fornecimento de energia elétrica têm comprometido a produção agropecuária em diversas regiões do Paraná e provocado reação de entidades do setor produtivo. Representantes do agronegócio cobram explicações da Companhia Paranaense de Energia (Copel) diante dos prejuízos acumulados por produtores rurais, enquanto a concessionária registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões em 2025.

Nos últimos anos, a realidade no campo tem contrastado com o desempenho financeiro da empresa. Pecuaristas e agricultores relatam perdas milionárias provocadas por apagões e oscilações na tensão da rede elétrica. Entre os principais impactos estão a mortalidade de animais especialmente peixes e frangos , perdas na produção de leite e a queima de equipamentos utilizados nas propriedades, como motores, bombas de irrigação, climatizadores, painéis de controle e resfriadores.

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) afirma que os episódios têm se tornado cada vez mais frequentes no meio rural. “Essas situações de falta de energia e perdas dentro da porteira se tornaram recorrentes, com o prejuízo sempre ficando com o produtor rural. Isso é inadmissível. A Copel precisa achar uma solução o quanto antes”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Segundo o dirigente, os problemas têm provocado impactos diretos na produção agropecuária e na renda de produtores. “O produtor rural está sofrendo horrores com os problemas no fornecimento de energia elétrica, resultando em perdas por mortalidade e prejuízo financeiro. Não dá mais para admitir a qualidade atual do serviço da Copel. Vamos continuar cobrando a solução dos problemas e a melhora dos serviços”, acrescenta.

Casos recentes ilustram a dimensão dos prejuízos. Na última semana, um produtor rural perdeu cerca de 900 mil peixes após uma interrupção no fornecimento de energia, acumulando prejuízo estimado em R$ 9 milhões. Em outro episódio, registrado em São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Estado, um aviário perdeu aproximadamente 27 mil aves após falhas no fornecimento de eletricidade.

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Os episódios preocupam não apenas a Faep, mas também entidades que compõem o chamado G7  grupo que reúne organizações representativas do setor produtivo paranaense. Para essas instituições, a situação é incompatível com a posição do Paraná como um dos principais produtores de alimentos do país.

No passado, já existiam registros de problemas relacionados ao tensionamento das redes elétricas. No entanto, representantes do setor produtivo afirmam que a frequência das quedas de energia e das interrupções no fornecimento aumentou significativamente nos últimos anos.

Um estudo contratado pelo setor produtivo analisou a malha de distribuição elétrica no Paraná e apontou problemas em diversas subestações, que estariam operando com estruturas defasadas e sem capacidade adequada para retransmitir energia com qualidade. O levantamento também indicou falhas em linhas de transmissão instaladas por empresas terceirizadas, incluindo postes desalinhados e equipamentos inadequados.

Representantes da Faep também criticam o contraste entre os lucros da empresa e os prejuízos acumulados por consumidores e produtores rurais. A entidade afirma que pretende buscar medidas legais para defender os produtores do Estado, inclusive com a possibilidade de judicialização em instâncias como o Ministério Público, Tribunal de Justiça e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Segundo relatos de produtores, há regiões que permanecem três, quatro ou até seis dias sem energia elétrica. Em alguns casos, quando o fornecimento é restabelecido, ocorrem novas oscilações na rede, agravando ainda mais os prejuízos e aumentando o risco para a produção agropecuária.

Privatização sem resultado

Em 2023, a Copel foi privatizada após a venda de ações na Bolsa de Valores de São Paulo, operação que arrecadou cerca de R$ 3,1 bilhões para o governo do Paraná. Com isso, o Estado deixou de ser o acionista controlador da empresa, que passou a operar sob um modelo de gestão com participação privada.
Na época, a promessa era de aumento da competitividade no setor elétrico e melhoria no atendimento aos consumidores. Atualmente, a Copel atende cerca de 4,5 milhões de unidades consumidoras em quase 400 municípios do Paraná e de Santa Catarina.
No meio rural, entretanto, produtores relatam deterioração na qualidade do serviço. Há registros de interrupções frequentes no fornecimento de energia e casos em que o restabelecimento ocorre apenas após vários dias.

Prefeitos do Oeste cobram explicações

Diante do aumento das reclamações, a Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop) também decidiu cobrar esclarecimentos da concessionária. O prefeito de Maripá e presidente da entidade, Rodrigo Schanoski, convocou uma reunião com representantes da Copel para discutir as constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica registradas nos municípios da região Oeste.
O tema será debatido na 1ª Assembleia Geral Ordinária da Amop, marcada para o dia 6 de março de 2026, na sede da entidade. A reunião contará com a presença do superintendente da Copel Distribuição e equipe técnica da companhia, que deverá apresentar explicações sobre as causas das interrupções e os investimentos previstos para a região.

Segundo Schanoski, o objetivo é promover um diálogo direto entre os gestores municipais e a concessionária para buscar soluções que reduzam as falhas no fornecimento de energia e minimizem os impactos para a população e para o setor produtivo.

Foto: Divulgação 

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