O que se sabe sobre o jovem que sumiu após trilha no Pico Paraná
Roberto Farias Thomaz sumiu após acompanhar o nascer do sol no ponto mais alto do Sul do Brasil; buscas mobilizam bombeiros, montanhistas e voluntários desde 1º de janeiro
Créditos: Reprodução Internet
O jovem Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, está desaparecido desde a noite da virada do Ano-Novo após realizar uma trilha no Pico Paraná, em Antonina, no litoral do estado. Ele foi visto pela última vez na manhã do dia 1º de janeiro, depois de subir até o ponto mais alto da Região Sul do Brasil para acompanhar o primeiro nascer do sol de 2026. Desde então, equipes do Corpo de Bombeiros, com apoio de montanhistas e voluntários, realizam buscas intensas na região.
Roberto estava acompanhado da amiga Thayane Smith, também de 19 anos, natural de Manaus, que estava em Curitiba havia algumas semanas. Os dois se conheceram recentemente no Largo da Ordem, no Centro Histórico da capital paranaense, e decidiram passar juntos a virada do ano. O Pico Paraná fica a cerca de 80 quilômetros de Curitiba.
Linha do tempo do desaparecimento
A dupla iniciou a trilha na noite de 31 de dezembro, subindo até o chamado acampamento 1, onde descansaram por algumas horas. Por volta das 3h da madrugada, seguiram em direção ao cume. Durante a subida, outros trilheiros relataram que Roberto passou mal, apresentando fraqueza e episódios de vômito.
Mesmo debilitado, o jovem conseguiu chegar ao topo por volta das 4h, após receber ajuda de integrantes do grupo, que lhe ofereceram água e alimentos. Após o amanhecer, os grupos começaram a descer a montanha. Em um trecho antes do retorno ao acampamento 1, Roberto ficou para trás e não foi mais visto.
Durante a trilha, Roberto e Thayane conheceram outros montanhistas, entre eles Fábio Sieg Martins, analista jurídico, que se tornou uma das principais testemunhas do caso. Em entrevista, ele afirmou que percebeu a ausência do jovem ao retornar ao acampamento.
“Quando chegamos no acampamento 1, a menina estava na barraca. Perguntei ‘cadê o Roberto?’ e ela não soube responder. Aí bateu o desespero”, relatou.
Início das buscas
Fábio retornou pela trilha à procura de Roberto e, ao encontrar sinal de celular, acionou o Corpo de Bombeiros, comunicando o desaparecimento. As buscas oficiais começaram ainda na tarde do dia 1º de janeiro.
A operação envolve:
Equipes em solo, subindo e descendo trilhas;
Sobrevoos com helicóptero equipado com câmera térmica;
Uso de drones;
Apoio do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo);
Participação do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM);
Para facilitar o trabalho das equipes, o Instituto Água e Terra (IAT) determinou o fechamento temporário das trilhas dos morros Pico Paraná, Caratuva, Getúlio e Itapiroca, mantendo abertas apenas áreas que não interferem nas buscas.
A família mantém um perfil no Instagram para divulgar informações oficiais sobre o resgate: @resgaterobertopicoparana.
Versões e depoimentos
Em entrevistas concedidas à Ric RECORD, Thayane Smith apresentou versões diferentes sobre o momento em que se separou de Roberto. Inicialmente, afirmou que o jovem havia passado mal. Em um segundo relato, disse que ele estava apenas mais lento e que decidiu seguir em frente por acreditar que outros trilheiros vinham logo atrás.
Fábio Sieg Martins afirmou que alertou Thayane sobre os riscos de deixar alguém sozinho em uma trilha considerada hostil, especialmente diante do estado físico de Roberto. A jovem declarou que se arrepende da decisão.
“Se eu não tivesse me separado dele, talvez não teria acontecido isso”, afirmou em entrevista.
Thayane também relatou que desceu o Pico Paraná com a carteira e o celular de Roberto, alegando que a mochila dele estava muito pesada.
Após o desaparecimento, a jovem publicou registros da trilha em seu perfil no Instagram. Em uma das postagens, afirmou que divulgaria a história completa posteriormente. Em outro momento, publicou mensagens que repercutiram negativamente nas redes sociais enquanto as buscas já estavam em andamento.
Investigação
Em entrevista à TV Globo, o delegado Glaison Lima Rodrigues, responsável pelo caso, informou que o desaparecimento é tratado, até o momento, como uma ocorrência sem indícios criminais. Thayane e os demais envolvidos foram ouvidos como testemunhas.
Segundo o delegado, caso surjam elementos que indiquem irregularidades, o boletim poderá ser convertido em inquérito policial.
Sobre o Pico Paraná
Com 1.877 metros de altitude, o Pico Paraná é considerado uma trilha de alto grau de dificuldade, mesmo para montanhistas experientes. O percurso apresenta riscos como:
Penhascos e paredões;
Trechos com uso de cordas e grampos cravados na rocha;
Mudanças bruscas de clima;
Neblina intensa;
Ausência de sinal de celular.
