João Ribeiro acusa governo Ratinho de abandonar Pontal e revela promessa feita há oito anos
Empresário afirma que Ratinho Junior prometeu pessoalmente licitar a PR-809 em seis meses, acusa tratamento desigual ao município e diz que prefeito recusou R$ 600 mil por medo de contrariar o grupo governista
Por Gazeta do Paraná
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Uma declaração do empresário João Ribeiro expõe os bastidores da relação política entre Pontal do Paraná e o governo Ratinho Junior e traz acusações pesadas sobre o tratamento dispensado pelo Estado ao município. Ribeiro afirma que o governador prometeu pessoalmente, ainda durante o período eleitoral, licitar em seis meses a PR-809, obra considerada fundamental para o desenvolvimento da região, mas que a promessa nunca foi cumprida. O empresário também acusa o governo estadual de deixar Pontal em segundo plano na distribuição de investimentos e afirma que até recursos destinados ao município teriam sido recusados por questões políticas.
Ao explicar quais seriam seus interesses em Pontal do Paraná, Ribeiro foi direto. Segundo ele, sua principal reivindicação sempre foi a construção da PR-809, estrada que ligaria Praia de Leste ao sistema portuário e que, segundo o empresário, é aguardada há mais de 25 anos pela população.
“Todo mundo sabe qual é o sofrimento da nossa população no período de férias e de verão. Isto o seu prefeito não sabe e nem teve nenhum interesse em nos ajudar. Esse é o meu interesse particular que foi cortado pela atual gestão”, declarou.
Ribeiro relaciona diretamente a construção da rodovia à implantação do porto projetado para o município. Segundo ele, a infraestrutura permitiria não apenas melhorar a mobilidade da população, mas viabilizar um empreendimento capaz de gerar empregos e transformar economicamente Pontal.
“Eu não tenho nenhum outro interesse aqui no Pontal, a não ser o crescimento. Eu ser o titular, que já não sou mais, hoje a liderança está com o grupo 20 Partners, no Porto, o meu interesse é o desenvolvimento”, afirmou.
Promessa de Ratinho
É ao explicar por que a obra não avançou que Ribeiro faz uma das declarações mais contundentes. Segundo ele, Ratinho Junior esteve pessoalmente em seu escritório oito anos atrás, justamente durante o período eleitoral, e assumiu o compromisso de colocar a estrada em licitação em apenas seis meses.
“Ele esteve no meu escritório, numa visita cordial, e ao levantar ele disse: ‘João Carlos, em seis meses eu faço a licitação para a construção da estrada’”, relatou Ribeiro.
O empresário afirma que, apesar da promessa, a PR-809 não saiu e responsabiliza diretamente a ausência da estrada pela não implantação do porto. Segundo ele, o projeto chegou a obter as aprovações necessárias, mas acabou impedido de avançar justamente pela falta da ligação rodoviária.
“Eu estive com o meu projeto todo aprovado, que não saiu até hoje. Por quê? Porque não saiu a estrada 809, que o senhor Ratinho tinha me prometido há exatos oito anos atrás, exatamente nesse período da política”, afirmou.
A declaração coloca sob questionamento um compromisso que Ribeiro diz ter sido assumido pessoalmente por Ratinho Junior antes de chegar ao governo. Mais do que cobrar uma obra, o empresário sustenta que a falta da estrada teve consequências diretas para um projeto econômico de grandes proporções no litoral.
Pontal esquecido
A crítica de Ribeiro, porém, não se limita à PR-809. O empresário acusa o Governo do Paraná de tratar Pontal do Paraná de maneira diferente dos demais municípios do litoral e apresenta números para sustentar a afirmação.
Segundo ele, Pontal estaria próximo de completar o recebimento de pouco mais de R$ 100 milhões ao longo de oito anos, enquanto Guaratuba teria recebido R$ 782 milhões e Matinhos, R$ 403 milhões no mesmo período.
“Então o que nós somos? Nós somos, sabe, o filho pobre e desgarrado que esse governo não fez questão de ver”, disparou.
Os números apresentados por Ribeiro são de responsabilidade do empresário e precisam ser confrontados com os dados oficiais do Governo do Paraná. A comparação, no entanto, deixa claro o teor da acusação: para ele, Pontal teria sido politicamente relegado pela atual gestão estadual enquanto municípios vizinhos receberam volumes muito superiores de investimentos.
R$ 600 mil recusados
É nesse contexto que Ribeiro faz outra acusação grave. Segundo ele, o prefeito de Pontal do Paraná teria recusado R$ 600 mil destinados ao município porque o deputado responsável por levar o recurso era adversário político do grupo governista.
Ribeiro afirma que a decisão teria sido motivada por medo de contrariar autoridades estaduais.
“Ele disse que recebe de bom grado todas as ajudas e verbas que vêm do governo. Mas ele recusou os 600 mil porque o deputado que estava trazendo era contrário às hostes governamentais. E ele ficou com medo. Ficou com medo das autoridades fazerem mal pra ele”, declarou.
A afirmação levanta uma questão que ultrapassa a disputa entre grupos políticos. Se confirmada, significaria que recursos que poderiam ser destinados a Pontal do Paraná deixaram de chegar ao município em razão da origem política da verba. Ribeiro não identifica, neste trecho da manifestação, o deputado ao qual se refere nem detalha a finalidade dos R$ 600 mil.
A acusação também ajuda a explicar a expressão utilizada pelo próprio empresário ao descrever Pontal como o “filho pobre e desgarrado” do governo. Na narrativa apresentada por Ribeiro, o município teria sido colocado em posição desfavorável justamente em um ambiente no qual as relações políticas com o Palácio Iguaçu teriam peso sobre a chegada de investimentos.
Collor nos bastidores
No mesmo pronunciamento, Ribeiro revelou ainda outro capítulo dos bastidores do projeto portuário. O empresário afirmou que chegou a procurar o ex-presidente Fernando Collor de Mello para obter auxílio na tramitação de projetos relacionados ao porto e à estrada junto ao Ibama e à Antaq.
“Eu fui pedir o auxílio do senhor Fernando Collor de Mello para aprovar dois projetos. O do Porto e da Estrada, em Brasília, junto ao Ibama e à Antaq. Foi isso que eu fiz”, afirmou.
Ribeiro rejeitou qualquer acusação de corrupção e disse que nenhum centavo de governos teria sido destinado em seu benefício. Ao mesmo tempo, atribuiu diretamente à atuação de Collor a rapidez com que processos teriam avançado nos órgãos federais.
Segundo o empresário, uma demanda que permanecera parada no Ibama durante três ou quase quatro anos avançou em três meses após a intervenção do ex-presidente. Na Antaq, segundo Ribeiro, foram necessários quatro meses.
O empresário ainda contrapôs a atuação de Collor à da então ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Ao questionar o que ela teria feito para ajudar o empreendimento, respondeu: “Zero. Absolutamente zero”.
Oito anos depois
A manifestação de João Ribeiro reúne, portanto, uma sequência de acusações que coloca o Governo do Paraná no centro de uma discussão que vai muito além de uma estrada. De um lado está a afirmação de que Ratinho Junior, durante o período eleitoral, esteve no escritório do empresário e prometeu que a licitação da PR-809 ocorreria em seis meses. Do outro, a acusação de que Pontal recebeu tratamento inferior ao dispensado a outros municípios do litoral e de que até R$ 600 mil teriam sido recusados pelo prefeito por medo de contrariar o grupo governista.
No meio dessa história está um empreendimento portuário que Ribeiro afirma ter conseguido fazer avançar em Brasília, inclusive recorrendo à influência política de Fernando Collor, mas que não teria saído do papel justamente pela ausência da estrada prometida pelo governador.
Oito anos depois da promessa que João Ribeiro atribui a Ratinho Junior, a cobrança agora é pública. E a acusação feita pelo empresário é ainda mais ampla: enquanto Matinhos e Guaratuba teriam recebido centenas de milhões de reais, Pontal do Paraná teria sido transformado, nas palavras dele, no “filho pobre e desgarrado” do Governo do Paraná.
Créditos: Redação
