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Irã fecha Estreito de Ormuz novamente e Trump mantém bloqueio naval total Créditos: Canva Imagens

Irã fecha Estreito de Ormuz novamente e Trump mantém bloqueio naval total

Teerã recua da reabertura e restringe rota que transporta 20% do petróleo mundial; presidente americano afirma que restrições militares seguem até conclusão de negociações

O Irã voltou a impor restrições ao Estreito de Ormuz neste sábado (18), após recuar da decisão de reabrir a principal rota marítima para o transporte global de petróleo. A medida foi comunicada por autoridades militares iranianas e amplia a tensão com os Estados Unidos no contexto do conflito no Oriente Médio.

Segundo a agência estatal Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, embarcações mercantes foram informadas via rádio de que a passagem está novamente fechada e que nenhum navio está autorizado a atravessar o estreito. A confirmação também foi divulgada pela Reuters.

De acordo com o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia, o controle da via foi restabelecido e segue sob monitoramento rigoroso das Forças Armadas iranianas.

“Como resultado, o controle sobre o Estreito de Ormuz foi restabelecido ao seu estado anterior, e essa via marítima estratégica está sob gestão e controle rigorosos das Forças Armadas”, afirmou.

A decisão ocorre após o governo iraniano acusar os Estados Unidos de descumprirem compromissos ao manter o bloqueio naval contra embarcações ligadas ao país. O presidente Donald Trump afirmou que a restrição militar continuará até a conclusão total das negociações com Teerã.

“O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas”, declarou Trump em publicação na rede Truth Social.

O impasse ocorre em meio a negociações mediadas pelo Paquistão para um possível acordo entre os dois países. A reabertura do estreito é uma das principais exigências americanas no processo.

Antes do novo fechamento, o Irã havia sinalizado a retomada parcial da circulação marítima. Dados da plataforma de monitoramento Kpler indicaram que três petroleiros iranianos deixaram o Golfo transportando cerca de 5 milhões de barris de petróleo bruto, marcando os primeiros embarques desde o início do bloqueio americano.

Mesmo com a autorização inicial, cerca de 20 navios que tentavam atravessar o estreito decidiram retornar ao porto de Omã. Segundo a agência Mehr News, as embarcações transportavam cargas avaliadas em bilhões de dólares.

Relatos indicam que o governo iraniano passou a exigir taxas de até US$ 2 milhões por navio para autorizar a passagem. A medida foi adotada após o restabelecimento do regime de fiscalização pela Guarda Revolucionária.

O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais estratégicos do comércio global. Aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passa pela região, que conecta o Golfo Pérsico ao restante do mercado internacional.

Localizado entre Omã e Irã, o estreito possui trechos com menos de 35 quilômetros de largura, o que facilita o controle militar da área. O território iraniano domina grande parte da costa da região.

Desde o início do atual conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o Irã tem utilizado o controle do estreito como instrumento de pressão geopolítica. O país chegou a ameaçar e atacar embarcações, além de instalar minas navais na rota.

Especialistas avaliam que a movimentação reforça a estratégia iraniana de afirmar soberania sobre o Golfo Pérsico e reagir à presença militar americana na região, considerada por Teerã como fator de instabilidade.

A nova restrição ao Estreito de Ormuz pode impactar o fornecimento global de petróleo e gerar oscilações nos preços internacionais da commodity, cenário que segue sendo monitorado por mercados e governos.

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