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ONU adia votação sobre uso de força no Estreito de Ormuz
O Conselho de Segurança da ONU adiou a votação que poderia autorizar o uso de força militar para liberar o Estreito de Ormuz
O Conselho de Segurança das Nações Unidas adiou a votação de uma resolução que poderia autorizar o uso de força “defensiva” para proteger a navegação no Estreito de Ormuz. A análise estava prevista para esta sexta-feira (3), mas foi retirada da pauta na véspera por conta do feriado da Sexta-Feira Santa. Até o momento, não há nova data definida.
A proposta foi apresentada pelo Bahrein e prevê que países possam atuar de forma individual ou em coalizões navais para garantir a segurança da navegação na região. O texto autoriza o uso de “meios defensivos necessários e proporcionais” no estreito e em áreas próximas, com o objetivo de impedir bloqueios ou interferências por um período inicial de seis meses.
O adiamento ocorreu mesmo com o feriado já previsto no calendário. Segundo relatos de diplomatas à imprensa internacional, a mudança abre espaço para novas negociações, já que a proposta enfrenta resistência de membros permanentes do conselho com poder de veto.
Rússia e China se posicionaram contra a autorização do uso da força, ainda que em caráter defensivo. O embaixador chinês na ONU, Fu Cong, afirmou que a medida pode provocar uma escalada do conflito e gerar consequências graves. Já o representante russo, Vassily Nebenzia, declarou que a proposta não resolve o problema e defendeu o fim das hostilidades.
Diante da resistência, o Bahrein revisou o texto para suavizar a linguagem e limitar a atuação militar a ações estritamente defensivas. A nova versão retirou termos mais amplos relacionados ao uso da força, numa tentativa de ampliar o apoio entre países como França, Rússia e China.
O embaixador francês na ONU, Jérôme Bonnafont, indicou que medidas com esse perfil podem ser aceitáveis, ao defender a busca por “respostas defensivas necessárias”.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do mundo e concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito. O bloqueio quase total imposto pelo Irã, em resposta a bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel nas últimas semanas, tem pressionado os preços de energia e afetado cadeias de abastecimento.
O embaixador do Bahrein na ONU, Jamal Alrowaiei, afirmou que a proposta surge em um “momento crítico” e classificou o bloqueio como uma forma de “terrorismo econômico” com impacto global.
Antes do adiamento, a expectativa era de votação ainda nesta sexta-feira. O texto vinha sendo negociado paralelamente a esforços diplomáticos para evitar vetos, especialmente de Rússia e China. Mesmo com as alterações, analistas avaliam que a aprovação segue incerta.
Na quinta-feira (2), o Reino Unido reuniu representantes de cerca de 40 países em um encontro virtual para discutir alternativas de reabertura da rota. A reunião foi liderada pela ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, e abordou medidas diplomáticas e econômicas, além de reforçar o apelo por liberdade de navegação.
Paralelamente, o Irã negocia com Omã um protocolo para monitoramento do tráfego no estreito. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kezem Gharibabadi, o documento está em fase final de elaboração.
