Irã bloqueia internet e se isola do exterior para conter novos protestos
Manifestações contra inflação se espalham pelo país, deixam mortos e feridos, e levam líder supremo a acusar interferência estrangeira
Créditos: Redes sociais
O Irã ficou em grande parte isolado do mundo exterior nesta sexta-feira (9), após o governo impor um bloqueio à internet e restringir comunicações telefônicas como tentativa de conter a expansão de protestos em diversas regiões do país. Voos foram cancelados, sites de notícias apresentaram instabilidade e ligações internacionais não conseguiam completar.
Diante da escalada das manifestações, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, acusou os manifestantes de agirem em nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que estariam atacando propriedades públicas. Em pronunciamento, Khamenei declarou que Teerã não tolerará pessoas atuando como “mercenários de estrangeiros”.
Os protestos tiveram início em meio a uma espiral inflacionária e, embora ainda não tenham alcançado a dimensão das grandes mobilizações registradas há três anos, já se espalharam por todo o país. Há relatos de dezenas de mortes, em um contexto de crescente fragilidade do governo, agravada pela crise econômica e pelos efeitos da guerra do ano passado com Israel e os Estados Unidos.
Segundo o grupo de direitos humanos Hengaw, uma marcha realizada após as orações de sexta-feira na cidade de Zahedan, região de maioria balúche, foi reprimida a tiros, deixando várias pessoas feridas. Facções da oposição iraniana no exterior também convocaram novos atos. Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, publicou nas redes sociais um apelo para que a população fosse às ruas.
Trump, que ordenou bombardeios contra o Irã no ano passado e recentemente afirmou que poderia apoiar manifestantes, declarou nesta sexta-feira que não pretende se reunir com Pahlavi e que não tem certeza se seria apropriado apoiá-lo.
Imagens exibidas pela televisão estatal iraniana mostraram ônibus, carros e motocicletas incendiados, além de focos de fogo em estações de metrô e bancos. A emissora acusou a Organização dos Mujahedin do Povo, também conhecida como MKO, de orquestrar os distúrbios.
Vídeos verificados pela Reuters mostraram centenas de pessoas marchando em Teerã. Em uma das gravações, uma mulher é ouvida gritando “Morte a Khamenei!”. Apesar de já ter reprimido protestos maiores no passado, o Irã enfrenta agora um cenário econômico mais severo e pressão internacional crescente, intensificada pela reimposição de sanções globais desde setembro, relacionadas ao programa nuclear do país.
Com informações da Reuters
