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Endividamento e acesso ao crédito pressionam setor no agro, em 2026

Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária defendem mudanças legislativas, reforço ao seguro rural e nova plataforma de crédito para enfrentar crise no campo

Por Eliane Alexandrino

Endividamento e acesso ao crédito pressionam setor no agro, em 2026 Créditos: Divulgação

O avanço do endividamento rural e as dificuldades de acesso ao crédito têm acendido o alerta no agronegócio brasileiro em 2026. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) acompanha de perto o cenário e defende soluções legislativas para reduzir os gargalos que afetam produtores e trabalhadores do campo em todo o país.

Nos últimos anos, cortes orçamentários ampliaram as perdas no setor agropecuário foi debatido durante o encontro da FPA. Um dos pontos mais sensíveis é o seguro rural. Atualmente, o orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) está em R$ 1,01 bilhão. Já a proposta preliminar do governo federal prevê elevar o valor para R$ 4,5 bilhões anuais apenas para custear a camada obrigatória, podendo alcançar R$ 10 bilhões por ano caso sejam incluídas coberturas adicionais. Segundo o Palácio do Planalto, os recursos seriam remanejados do Proagro.

Presidente da FPA e líder da bancada do agro,  deputado Pedro Lupion (Republicanos)  afirma que a bancada tem sido constantemente procurada para tratar de temas como endividamento rural, seguro e Plano Safra. Para ele, é fundamental dimensionar o problema e blindar o orçamento destinado ao seguro rural.

“Estamos há bastante tempo lutando por uma situação melhor para os produtores. É preciso garantir o auxílio que é de direito e evitar novos cortes. Temos que proteger o produtor”, defende.

O presidente da Aprosoja-TO também participou do encontro, Maurício Buffon, reforça que, além de ampliar recursos, é necessário reduzir a burocracia para facilitar o acesso às linhas de crédito. Segundo ele, há produtores que enfrentam dificuldades até para quitar os juros das parcelas.

O encontro aponta como alternativa a criação de uma plataforma de crédito positiva, projeto que aguarda votação. A proposta, relatada pela deputada Marussa Boldrin (MDB-GO), centraliza e organiza informações para subsidiar a análise de risco em operações de financiamento rural, inclusive as vinculadas à Cédula de Produto Rural (CPR) e ao seguro.

Paraná mobiliza propostas para o Plano Safra

Já aqui no Paraná, o Sistema FAEP iniciou a construção das propostas do setor para o Plano Safra 2026/27 como já antecipou a Gazeta do Paraná. O documento, elaborado com base em estudos técnicos e sugestões dos sindicatos rurais, será encaminhado até o fim de fevereiro aos ministérios da Agricultura e Pecuária, do Desenvolvimento Agrário e da Fazenda.

Participam da construção conjunta entidades como a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destaca que o Estado tem tradição na formulação de propostas para o Plano Safra e defende que o diálogo com as bases é essencial para que as demandas regionais sejam consideradas pelo governo federal.

Entre as reivindicações estão maior volume de recursos, taxas de juros adequadas e prazos compatíveis com a realidade do campo, contemplando programas como o Pronaf, o Pronamp e a agricultura empresarial. Também está em debate a priorização de verbas para linhas de custeio, diante do aumento dos custos de produção, inflação e oscilações no desempenho do setor.

Com o crédito mais restrito e o endividamento crescente, lideranças políticas e entidades do agro convergem no diagnóstico: sem ajustes estruturais no seguro rural, nas fontes de financiamento e na legislação, o campo seguirá enfrentando obstáculos para sustentar a produção e contribuir para o crescimento econômico do país.

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