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Portos projetam R$ 10 bilhões em investimentos para receber 'supernavios' no Sul e Nordeste Créditos: Claudio Neves/Portos do Paraná

Portos projetam R$ 10 bilhões em investimentos para receber 'supernavios' no Sul e Nordeste

Projetos em Itapoá e Portonave somam bilhões para aprofundar canais e atrair navios de até 400 metros; consultoria aponta urgência para evitar custos logísticos no comércio exterior

Terminais portuários brasileiros que operam com contêineres projetam investir mais de R$ 10 bilhões até 2029 para ampliar a capacidade operacional e aprofundar os canais de acesso. O objetivo é reduzir gargalos logísticos e permitir a operação de navios de maior porte, cada vez mais presentes no comércio internacional.

O levantamento foi elaborado pela consultoria Solve Shipping e aponta que os investimentos devem alcançar portos em nove estados das regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

Um dos principais projetos está no porto de Porto de Itapoá, que prevê investimento de R$ 500 milhões na quarta fase de expansão. A obra inclui ampliação do cais e aquisição de portêineres, equipamentos usados na movimentação de contêineres em navios de grande porte.

O terminal também aguarda a conclusão da dragagem do canal de acesso à Baía da Babitonga. A intervenção, que recebeu mais de R$ 324 milhões em investimentos, vai permitir a atracação de embarcações maiores na região.

Parte significativa dos recursos, cerca de R$ 300 milhões, foi aportada pelo próprio porto de Itapoá e será ressarcida de forma parcelada até 2037. O restante foi financiado pelo Porto de São Francisco do Sul.

A previsão é de que a obra seja finalizada entre junho e julho, seguida por testes e homologação. Com a conclusão, a profundidade do canal externo passará de 14 para 16 metros, permitindo a operação de navios com até 366 metros de comprimento.

Segundo especialistas, a mudança pode facilitar a logística de embarcações vindas da Ásia, que poderão descarregar parte da carga em Itapoá antes de seguir para outros portos com menor profundidade.

Capacidade em expansão

Outro investimento relevante ocorre na Portonave, que deve aplicar mais de R$ 2 bilhões em obras de ampliação. O projeto prevê adequar o cais para operar com até 17 metros de profundidade, possibilitando a recepção de navios de até 400 metros.

Atualmente, o terminal opera com calado inferior a 14 metros. Com a modernização, a capacidade anual deve saltar de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs, unidade padrão equivalente a contêineres de 20 pés.

Além das obras estruturais, a Portonave também prevê a aquisição de novos equipamentos, como guindastes e scanners, e a instalação futura de sistemas para fornecimento de energia elétrica aos navios atracados.

Novos projetos e desafios

No Nordeste, a APM Terminals investe R$ 2,1 bilhões na construção de um terminal de contêineres no Porto de Suape, com início das operações previsto para o segundo semestre deste ano.

A proposta é estruturar o terminal para atender a nova geração de navios, mas especialistas apontam que a modernização precisa ocorrer de forma integrada em diferentes portos brasileiros para garantir eficiência logística.

O estudo não inclui o projeto do Tecon Santos 10, previsto para o Porto de Santos, que ainda enfrenta indefinições sobre o modelo de concessão.

De acordo com a consultoria, a ampliação da infraestrutura é essencial para evitar que o setor continue operando acima da capacidade nos próximos anos. Sem novos terminais e expansão dos existentes, o risco é de aumento nos custos logísticos e perda de competitividade no comércio exterior.

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