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Gaeco denuncia três por esquema milionário de jogo do bicho no Paraná Créditos: MPPR/Divulgação

Gaeco denuncia três por esquema milionário de jogo do bicho no Paraná

Investigação do MPPR aponta que a "Banca União" controlava 257 pontos de apostas e lucrava R$ 8 milhões anuais; grupo lavava dinheiro com imóveis de luxo e criptomoedas

O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou três pessoas investigadas por envolvimento em um esquema de exploração ilegal do jogo do bicho em Arapongas, no Norte do Estado. A denúncia foi apresentada nesta quinta-feira (11) e aponta a prática dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro de forma reiterada.

As investigações tiveram origem na Operação Diarquia, deflagrada em dezembro do ano passado. A partir da análise de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos apreendidos durante a operação, os investigadores identificaram a existência de um suposto sócio oculto que exerceria papel de liderança e controle financeiro da organização.

Segundo o MPPR, o grupo mantinha uma estrutura empresarial organizada para administrar a atividade ilegal. Os integrantes se revezariam mensalmente na gestão da banca de apostas, assumindo despesas operacionais e dividindo os lucros obtidos com o esquema.

Documentos e conversas interceptadas indicam que a organização controlava ao menos 257 pontos de apostas espalhados pela região. Conforme a denúncia, a arrecadação seria suficiente para gerar lucro líquido anual estimado em aproximadamente R$ 8 milhões. O grupo atuaria sob a denominação de “Banca União”, apontada pelo Ministério Público como responsável pelo monopólio da atividade na região.

Esquema de lavagem de dinheiro

De acordo com o Gaeco, a organização utilizava diversos mecanismos para ocultar a origem dos recursos obtidos com a exploração do jogo do bicho. Entre as estratégias identificadas estão a utilização de empresas de fachada, negociações imobiliárias com valores subfaturados, uso de familiares como supostos “laranjas” e a conversão de recursos em criptomoedas armazenadas em carteiras digitais offline.

A investigação também aponta que o grupo contaria com uma estrutura de proteção baseada no pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, o que teria contribuído para a manutenção das atividades ilícitas ao longo dos anos.

Patrimônio bloqueado

Na ação penal, o Ministério Público pede a condenação dos denunciados, a proibição do exercício de cargos públicos e de funções de direção ou administração de empresas, além do pagamento de indenização por danos morais coletivos em valor não inferior a R$ 1 milhão.

O MPPR também requer o perdimento definitivo dos bens supostamente adquiridos com recursos oriundos das atividades criminosas. Entre os ativos bloqueados estão oito imóveis em Arapongas, apartamentos e vagas de garagem em Londrina, Florianópolis e Itapema, direitos sobre 16 apartamentos de alto padrão, três aeronaves, dois veículos, criptomoedas e valores em dinheiro apreendidos durante o cumprimento dos mandados.

Segundo o Ministério Público, o patrimônio vinculado aos investigados é resultado direto do esquema criminoso e das operações de lavagem de dinheiro identificadas ao longo das investigações.

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